O funcionário de lava-jato Amarildo Prado, de 44 anos, preso em flagrante por matar o colega de trabalho Alexandre Oras Cabraleiros, de 45 anos, detalhou em depoimento à Polícia Civil como o crime aconteceu em Cuiabá. A confissão foi mantida durante audiência de custódia realizada nesta terça-feira (26), quando a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.
A decisão foi assinada pelo juiz Moacir Rogério Tortato, da Comarca da Capital.
No interrogatório, Amarildo afirmou que matou o venezuelano porque acreditava que seria atacado pela vítima. Segundo ele, Alexandre foi agredido com pauladas e depois esfaqueado várias vezes.
Em um dos trechos do depoimento, o suspeito descreve que a vítima demorou a morrer.
“O pau não conseguia resolver, ele batia e levantava. Aí eu peguei a faca. Furei atrás e na frente também”, afirmou.
Amarildo também contou que esperou cerca de 40 minutos até ter certeza de que Alexandre não apresentava mais sinais de vida. Depois disso, arrastou o corpo pelas pernas até uma área de entulhos dentro do lava-jato, no bairro Baú, onde os dois trabalhavam.
Segundo o próprio relato, ele tentou esconder o cadáver usando restos de materiais de construção, mas não conseguiu cobrir completamente os pés da vítima.
“Os pés dele não teve jeito de tampar, porque ali é puro entulho”, disse no interrogatório.
Outro trecho do depoimento chamou a atenção dos investigadores pela frieza do suspeito. Amarildo afirmou que, depois de esconder o corpo, voltou para casa e foi dormir.
O corpo do venezuelano foi encontrado no domingo (25), depois que pessoas que passavam pelo local perceberam um dos pés saindo do entulho e acionaram a polícia.
De acordo com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Amarildo continuou trabalhando normalmente no dia seguinte ao crime e acompanhou a movimentação no local enquanto o corpo era retirado.
Segundo o delegado Caio Albuquerque, apesar da confissão, a Polícia Civil ainda trabalha para esclarecer a motivação do crime e confirmar todos os detalhes da dinâmica apresentada pelo suspeito.
“A investigação continua em andamento. Agora, a gente busca entender o que motivou esse homicídio e confrontar a versão apresentada pelo suspeito com os demais elementos reunidos no inquérito”, afirmou o delegado.
A polícia investiga agora o que motivou o assassinato.
Testemunhas relataram que os dois costumavam consumir drogas e uma das linhas apuradas é se o suspeito interpretou alguma situação como ameaça.
Amarildo deve ser encaminhado para a Penitenciária Central do Estado (PCE), enquanto o inquérito continua em andamento.























