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1º JÚRI DO CRIME

VÍDEO | Executor confesso da morte de Renato Nery é condenado a 33 anos de prisão

Foto: Victor Ostetti

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Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta quarta-feira (15), Alex Roberto de Queiroz Silva a 33 anos e 10 meses de prisão, em regime fechado, pela execução do advogado Renato Gomes Nery, morto a tiros em julho de 2024. O réu também foi condenado ao pagamento de indenização superior a R$ 40 mil à família da vítima.

Alex foi o primeiro dos seis denunciados pelo assassinato a ser julgado. A sessão durou cerca de dez horas.

Durante o interrogatório, o marceneiro confessou ter cometido o crime e afirmou aos jurados que matou o advogado após enfrentar dificuldades financeiras e sofrer ameaças de agiotas.

“Eu fui lá e matei o advogado.”

Segundo o réu, ele recebeu quase R$ 100 mil pela execução, mas negou conhecer os supostos mandantes do homicídio.

Alex afirmou que a proposta para matar Renato Nery surgiu durante um churrasco com o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, apontado pelo Ministério Público como um dos intermediadores do crime.

“Eu estava endividado. O Heron comentou que queriam contratar alguém para matar um advogado. Pesquisei quem ele era e, dois dias depois, fui lá e atirei.”

O condenado também declarou que o policial não sabia que ele executaria o advogado naquele momento e que apenas comunicou o crime depois da execução.

Jurados acolheram tese do Ministério Público

Apesar da versão apresentada pela defesa, os jurados reconheceram a responsabilidade de Alex pelos crimes de homicídio qualificado, organização criminosa e fraude processual. Ele foi absolvido apenas da acusação de abuso de autoridade.

Na sentença, o juiz Marcos Faleiros da Silva fixou a pena em 33 anos e 10 meses de prisão, além da multa e da indenização à família da vítima.

Crime teria sido encomendado

Conforme a denúncia do Ministério Público, Renato Gomes Nery foi assassinado por causa de uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Atlântida, em Novo São Joaquim, avaliada em cerca de R$ 70 milhões.

A investigação aponta que o advogado representava uma das partes no processo e que decisões favoráveis obtidas por ele causaram prejuízos financeiros aos empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, apontados como mandantes do homicídio.

Segundo a acusação, o casal teria contratado os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira para organizar a execução, recrutar o atirador, intermediar os pagamentos e fornecer a arma utilizada no crime.

Execução foi registrada por câmeras

Renato Nery foi baleado na manhã de 5 de julho de 2024, em frente ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá.

De acordo com as investigações, Alex aguardou a chegada do advogado e efetuou os disparos no momento em que a vítima descia do veículo. Em seguida, fugiu em uma motocicleta. A ação foi registrada por câmeras de segurança e as imagens passaram a integrar o conjunto de provas da investigação.

O advogado morreu no dia seguinte, após passar por cirurgia.

Os outros cinco denunciados seguem presos preventivamente e ainda aguardam julgamento pelo Tribunal do Júri.

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