Esquecimentos frequentes, apatia, isolamento social, irritabilidade constante e alterações no sono costumam ser vistos como consequências naturais do envelhecimento. No entanto, esses sinais podem indicar transtornos emocionais importantes, como depressão, ansiedade e até o início de doenças neurodegenerativas.
Durante o Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental, especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce e do olhar atento à saúde emocional da população acima dos 60 anos.
De acordo com o psicólogo Francisco Carlos Gomes, cofundador do canal Longidade, o envelhecimento traz desafios emocionais específicos que muitas vezes passam despercebidos.
“Perdas afetivas, aposentadoria, mudanças no papel social, limitações físicas e o medo da dependência podem impactar profundamente a saúde mental do idoso. O problema é que sintomas emocionais ainda são naturalizados como ‘coisas da idade’, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento”, explica.
Segundo o especialista, a depressão na maturidade nem sempre se manifesta como tristeza explícita.
“É comum aparecer como cansaço excessivo, falta de motivação, dores sem causa aparente ou alterações no comportamento. Quando não reconhecida, compromete a autonomia, a qualidade de vida e até a saúde física do longevo”, ressalta Francisco.
A médica geriatra Dra. Polianna Souza, também cofundadora do canal Longidade, reforça que a saúde mental deve fazer parte da avaliação clínica de rotina após os 60 anos.
“O envelhecimento saudável não diz respeito apenas ao corpo, mas também à mente. Alterações cognitivas, emocionais e comportamentais precisam ser investigadas com seriedade. Quanto mais cedo identificamos um transtorno, maiores são as chances de controle e melhora da qualidade de vida”, afirma.
A especialista destaca ainda que o diagnóstico precoce ajuda a evitar o agravamento de quadros emocionais e a confusão com doenças como demência.
“Nem todo esquecimento é Alzheimer, assim como nem toda apatia é normal da idade. Avaliações multidisciplinares, com médicos e profissionais da saúde mental, são fundamentais”, pontua Polianna.
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