O julgamento do policial militar Ricker Maximiano de Moraes, previsto para acontecer nesta quarta-feira (28), foi adiado para o próximo dia 8 de julho. O réu está preso atualmente por outro crime: o assassinato da esposa, Gabrieli Daniel de Moraes, ocorrido no último domingo (25). No entanto, o julgamento adiado refere-se a um crime ocorrido em 2018, quando Ricker atirou em um adolescente durante uma abordagem violenta na rua.
Crime de 2018: Adolescente baleado pelas costas
O caso que seria julgado diz respeito a um episódio de 2018, quando Ricker discutia com sua então namorada — Gabrieli — na rua. Três adolescentes passavam pelo local e foram abordados agressivamente pelo policial, que, segundo os autos, perguntou o que eles estavam olhando.
Após a resposta dos jovens de que não era com ele, Ricker sacou sua arma, perseguiu os adolescentes, que fugiram, e atirou. Um dos disparos atingiu um jovem de 17 anos nas nádegas.
A vítima, que era jogador de futebol, ficou com sequelas permanentes: perdeu movimentos de uma perna, sofreu danos no sistema urinário e teve a carreira esportiva interrompida.
Defesa abandona o caso e julgamento é remarcado
A remarcação do júri ocorreu porque a defesa técnica de Ricker desistiu do caso. Segundo o promotor de justiça Jacques de Barros Lopes, o então advogado do réu queria que ele confessasse o crime, diante da robustez das provas, mas Ricker se recusou. Como houve conflito de teses, a defesa foi desconstituída. A Justiça remarcou a sessão para 8 de julho e já intimou a Defensoria Pública para assumir o caso, se o réu não constituir novo advogado.
Ministério Público denuncia racismo e tentativa de manipulação
O Ministério Público alega que Ricker agiu por motivo fútil e de forma racista ao abordar os adolescentes. Segundo o promotor Jacques de Barros Lopes, o réu justificou a ação alegando suspeita de assalto, baseando-se apenas na aparência dos jovens, que são negros e pobres.
No entanto, câmeras de segurança mostram os adolescentes correndo, já de costas, quando foram baleados — o que contradiz a versão apresentada pelo policial. “De forma abjeta, Ricker adotou uma linha de defesa racista, tentando imputar aos jovens um crime que eles não cometeram”, afirmou o promotor.
Conexão entre crimes levanta suspeitas
Um detalhe inquietante chama atenção: Gabrieli Daniel de Moraes, a esposa assassinada por Ricker no último domingo, era testemunha no caso de 2018. Ela havia sido arrolada no processo e, segundo o Ministério Público, seu assassinato pode ter relação com o julgamento. “A Polícia Civil deve aprofundar essa linha de investigação. Há um histórico de agressões, e a vítima pode ter sido silenciada por conhecer verdades incômodas sobre o réu”, afirmou Jacques de Barros Lopes.
Próximos passos
Com o julgamento remarcado para 8 de julho, a expectativa agora é que Ricker Maximiano de Moraes apresente nova defesa. O Ministério Público, por sua vez, promete acompanhar de perto tanto o processo por tentativa de homicídio em 2018, quanto a investigação pelo feminicídio de Gabrieli, que pode ganhar novos contornos a partir dessa possível conexão.






























