O governador Mauro Mendes (União) afirmou nesta terça-feira (3), que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, instalada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), tem caráter político e não deve apresentar fatos novos sobre os contratos investigados durante a pandemia. A declaração foi dada durante coletiva com a imprensa na inauguração do espaço de eventos da Seplag e Laboratório Central de Inovações em Práticas Públicas.
Em conversa com jornalistas, Mendes declarou que as assinaturas usadas para viabilizar a criação da CPI foram coletadas há mais de dois anos, quando uma denúncia partiu da própria Secretaria de Governo. Segundo ele, o caso foi investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso, encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso, que denunciou os envolvidos.
“Dois anos depois, usando uma manobra, foram apresentadas essas mesmas assinaturas”, afirmou o governador.
A CPI foi publicada no dia 6 de fevereiro deste ano após articulação do deputado Wilson Santos (PSD), que utilizou assinaturas de 2023 para atingir o número mínimo necessário. Posteriormente, três parlamentares — Juca do Guaraná (MDB), Chico Guarnieri (PRD) e Dr. João José de Matos (MDB) — contestaram formalmente os apoios, alegando falta de contemporaneidade nas assinaturas.
Mendes classificou o movimento como “manobra política” e disse lamentar que o tema volte à pauta. “Quer investigar? Pode investigar. Mas não investigar aquilo que a polícia já investigou, que o Ministério Público já investigou e que já processou. Isso dá uma certa clareza de que se trata apenas de um movimento político de algumas pessoas dentro da Assembleia”, declarou.
O governador também comentou a composição da comissão, que terá maioria de parlamentares da base governista, incluindo o líder do Governo, Dilmar Dal Bosco (União), e o vice-líder Beto Dois a Um (PSB). Para ele, a presença de aliados não altera a condução dos trabalhos.
“Eles são deputados como qualquer outro. Não teve seriedade na apresentação”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de ser convocado para depor, Mendes disse estar à disposição.
“Estou pronto para responder a qualquer coisa do Estado de Mato Grosso”, concluiu.
As investigações citadas pelo governador tiveram como base a Operação Espelho, deflagrada em 2023, que apurou supostos contratos superfaturados na Secretaria de Estado de Saúde (SES) durante a pandemia de Covid-19.


























