O apoio declarado pelo prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) abriu uma nova crise dentro do PL de Mato Grosso. A decisão contraria a candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo do Estado e pode levar Cláudio a enfrentar punições dentro da legenda.
A possibilidade de expulsão foi levantada pelo deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL), durante um evento em Rondonópolis. Segundo ele, o prefeito pode ser alvo de uma decisão do partido após declarar apoio público a um adversário da própria legenda.
“O Cláudio hoje mostrou força e é possível que até amanhã, Cláudio, o nosso partido diga que vai te expulsar. Eu não duvido.”
Cláudio anunciou que pretende apoiar Pivetta mesmo sabendo que a decisão pode gerar consequências políticas. O prefeito afirmou que sua escolha considera a atuação do governador e os investimentos destinados a Rondonópolis.
“Meu candidato a governador é Otaviano Pivetta. Eu sei que vou pagar o preço porque ele não faz parte do meu partido, mas os partidos existem para as pessoas, e não as pessoas existem para os partidos.”
O prefeito também destacou a trajetória política e administrativa de Pivetta e afirmou que passou a admirar o governador depois de assumir a Prefeitura de Rondonópolis.
“Servir as pessoas com generosidade e com empatia é o que me faz apoiar o senhor. É por isso que eu apoio o senhor.”
Críticas dentro do próprio PL
José Medeiros também afirmou que a entrada de Cláudio Ferreira no PL teria enfrentado resistência de setores da legenda. Segundo o deputado, a filiação foi articulada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro.
“Se não fosse Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, Cláudio não tinha conseguido entrar nesse partido. Entrou à força e o tempo inteiro não queriam isso.”
A declaração de Cláudio também contraria uma orientação da direção nacional do PL. O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, já havia orientado integrantes do partido em Mato Grosso a não pedir votos para Pivetta, já que o PL possui candidatura própria ao Governo, com Wellington Fagundes.
Segundo Medeiros, a orientação foi clara e poderia resultar em medidas contra quem desobedecesse à determinação.
Apesar das declarações sobre uma possível expulsão, até o momento não há decisão formal do partido pelo desligamento de Cláudio Ferreira.
O episódio expõe uma divisão cada vez mais evidente dentro do PL de Mato Grosso, que chega à disputa eleitoral de 2026 com integrantes da própria legenda apoiando projetos diferentes para o Governo do Estado.


























