O primeiro episódio da série sobre transplantes do PODFESSP, podcast da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT), foi ao ar na última segunda-feira (24). Participaram do programa a médica neurologista e responsável técnica pela Central de Transplantes de Mato Grosso, Heloise Helena Siqueira Borges, e a bióloga e responsável técnica pelo Laboratório de Imunogenética e Biologia Molecular do Hospital Geral, Flávia Galindo Silvestre Silva.
Durante a conversa, as especialistas explicaram que o processo começa com a identificação de um possível doador e passa por avaliação médica, autorização da família, exames laboratoriais, análise de compatibilidade e uma complexa logística para que os órgãos cheguem aos pacientes que aguardam na lista de transplantes. No Brasil, a doação após a morte depende do consentimento familiar.
Heloise destacou a importância de conversar sobre o desejo de doar ainda em vida. “Toda doação, ela tem que ser consentida. A família precisa autorizar a doação desses órgãos. Sempre orienta que essa pessoa que deseja ter seus órgãos doados sente, converse com a família, para saberem dessa sua intenção, de seu direito e de seu desejo”, afirmou. Segundo ela, esse diálogo ajuda os familiares a respeitarem a vontade do possível doador no momento do luto.
A médica também ressaltou que, mesmo diante da dor pela perda, a decisão pode representar uma oportunidade para outras pessoas. “Apesar desse momento muito difícil, de dor, que essa família consiga ressignificar esse momento. Entender que esse familiar, essa pessoa amada, possa, ainda depois de morta, doar vidas”, disse Heloise.
Outro tema abordado foi a possibilidade de utilização de órgãos de doadores com determinadas doenças transmissíveis, desde que sejam observados critérios técnicos e de segurança. “Aqueles indivíduos com doenças transmissíveis como HIV, sífilis ou hepatite C, eles agora podem ser doadores, mas eles vão ser doadores para aqueles receptores”, explicou a médica. A destinação é individualizada e segue as regras do Sistema Nacional de Transplantes.
Após a captação, os órgãos seguem os critérios de distribuição do Sistema Nacional de Transplantes. Um mesmo doador pode beneficiar diferentes pacientes, inclusive em outros estados. “Todos os órgãos que não são transplantados aqui em Mato Grosso, tudo que não é rim, ele passa a ser analisado: quem é o receptor compatível no Brasil inteiro. Mas primeiro, todos, qualquer rim doado, qualquer doador, rodamos primeiro a lista aqui pelos pacientes que estão aguardando o transplante em Mato Grosso”, explicou Heloise.
A bióloga Flávia Galindo Silvestre Silva explicou que o transplante também depende de exames para avaliar a compatibilidade genética e imunológica entre doador e receptor. Segundo ela, os testes ajudam a reduzir o risco de rejeição e fornecem informações para que a equipe transplantadora decida sobre a realização do procedimento. “O objetivo final de todos os exames que são feitos é que não é só a tipagem HLA, não é só a prova cruzada, não é só um painel de anticorpos, é um conjunto de exames para dizer que eu não vou ter uma rejeição aguda.”
Nos casos de doação em vida, os exames são utilizados para avaliar a relação imunológica entre doador e receptor. A primeira possibilidade costuma envolver familiares diretos, mas a avaliação pode ser ampliada para outras pessoas, desde que sejam atendidos os critérios legais, médicos e de compatibilidade. “A primeira escolha para uma possível doação é dos familiares diretos, dos filhos, dos pais, dependendo da idade, obviamente, e depois você amplia, e às vezes pode ser um amigo, alguém conhecido que aceitou fazer aquela doação”, explicou Flávia.
A especialista ressaltou, porém, que os exames não eliminam completamente a possibilidade de rejeição após o transplante. “Ela não isenta 100%, porque isso pode acontecer, mesmo fazendo todos os testes”, afirmou. Segundo Flávia, os exames permitem identificar previamente as condições de compatibilidade e reduzir principalmente o risco de rejeição aguda.
Ao longo do episódio, as especialistas reforçaram que a família ocupa papel central para que a doação aconteça. Um único doador pode possibilitar o transplante de diferentes órgãos e tecidos, como rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino e córneas. Para Heloise, a decisão de doar pode representar esperança para quem aguarda por um transplante. “Eu acho que o importante de tudo isso é entenderem que, naquele momento de dor, eles estão dando esperança e ajudando alguma outra família, alguma outra pessoa que está precisando”, afirmou ela.
O episódio do PODFESSP, da FESSP-MT está disponível no canal do YouTube quanto pelo Spotify, totalmente dedicado a explicar, com especialistas, as diferentes etapas e aspectos relacionados aos transplantes de órgãos e como doador e familiar precisar estar cientes e consentir com a doação.
Link para acessar pelo Youtube: https://youtu.be/35fUjZbAEUw?si=Ty3lDLpR1czaJc4A
Link para acessar pelo Spotify: https://open.spotify.com/episode/2vlnfN4kr6M32nyx2aoYaz?si=t0w5il9FQv2Wqh6DORvr_g&utm_source=whatsapp





























