O vice-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Júlio Campos (União), se irritou com o barulho feito por servidores do Poder Judiciário durante uma entrevista coletiva concedida na manhã desta quarta-feira (9), no Salão Negro da Casa de Leis, em Cuiabá.
O episódio ocorreu enquanto o parlamentar defendia a derrubada do veto ao projeto que prevê reajuste linear de 6,8% para os servidores efetivos do Poder Judiciário. Durante a entrevista, Júlio precisou interromper a fala algumas vezes para pedir silêncio.
“Por favor, silêncio aí. Eu estou dando entrevista. Não respeita?”, reclamou o deputado. Na sequência, ele pediu a intervenção da segurança e determinou a retirada do presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), Rosenwal Rodrigues.
“Segurança, tira esse moço daí”, disse Júlio, visivelmente irritado.
O deputado afirmou que estava defendendo justamente os interesses dos servidores e pediu respeito ao espaço destinado à entrevista.
“Eu não entendo. Eu estou defendendo as suas causas. Eu estou defendendo justamente a causa do Judiciário. Eu estou defendendo a causa de vocês. Vocês vejam, respeitem. Aqui não é Judiciário. Respeitem”, afirmou.
Apesar do momento de tensão, Júlio Campos manteve o posicionamento favorável à derrubada do veto e afirmou que, caso esteja presidindo a sessão plenária desta quarta-feira, colocará a matéria em votação.
“Eu estava defendendo a causa de vocês, justamente falando de que, se eu estiver presidindo a sessão hoje, queira ou não queira, nós vamos votar o RGA de vocês”, declarou.
O parlamentar também avaliou que a maioria dos deputados deve votar pela derrubada do veto.
Votação será novamente analisada
A nova votação ocorre após uma decisão da desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que determinou que a Assembleia Legislativa inclua o veto na pauta desta quarta-feira.
A decisão foi proferida na noite de terça-feira (8), após uma ação movida pelo Sinjusmat contra o presidente da Assembleia. A magistrada determinou que a matéria seja novamente apreciada pelos deputados, desta vez por meio de votação aberta.
A decisão também manteve multa pessoal de R$ 50 mil por dia ao presidente da Assembleia em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 1 milhão.
O projeto, de número 1.398/2025, prevê reajuste linear de 6,8% aos servidores efetivos do Poder Judiciário.
Votação anterior foi anulada
A disputa começou após a Assembleia Legislativa manter o veto ao projeto, em 3 de dezembro de 2025, durante uma votação secreta.
Em agosto deste ano, a Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT anulou a votação e determinou que o veto fosse novamente submetido aos deputados, desta vez por meio de escrutínio aberto.
A decisão judicial não determina a aprovação do reajuste. Os parlamentares continuam livres para decidir se mantêm ou derrubam o veto. A determinação é para que a votação seja realizada de forma aberta.
Discussão termina em abraço
Apesar da exaltação durante a entrevista, o episódio terminou de forma amistosa.
Após a discussão, Júlio Campos e Rosenwal Rodrigues conversaram e, ao final, os dois se abraçaram.


























