Um novo combustível produzido em Lucas do Rio Verde (350 km de Cuiabá), vem sendo apontado como alternativa sustentável para o setor de transportes. O biodiesel, fabricado a partir do óleo de soja já apresenta resultados positivos em testes e pode chegar aos postos nos próximos anos.
A produção ocorre dentro de um complexo industrial da Amaggi, gigante do agronegócio brasileiro, onde o óleo extraído da soja passa por processos químicos até se transformar em combustível. Segundo o head industrial Eliot Mello, a fabricação envolve etapas controladas e tecnologia avançada.
“Nós começamos esse trabalho a partir do óleo neutro. Esse óleo neutralizado entra na planta de transesterificação, passa por um sistema reacional composto por reatores, onde é adicionado o metanol e um catalisador, para que ocorram de forma sequencial essas reações controladas até a obtenção do biodiesel bruto”, explicou.
Durante todo o processo, o produto é monitorado em laboratório, com testes realizados a cada duas horas, seguindo as normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que regulamenta a produção no país.
O biodiesel já abastece uma frota de caminhões de uma multinacional do agronegócio. De acordo com os dados dos testes, a emissão de dióxido de carbono (CO₂) pode ser até 90% menor em comparação ao diesel convencional, o que representa um avanço importante no combate ao aquecimento global.
A diretora de gestão social e ambiental, Juliana Lopez, destaca a mudança no tipo de combustível utilizado. “O que a gente fez foi ter autorização para transformar o uso do diesel para o B100, saindo do diesel atual, que tem uma mistura de 14% de biodiesel, para a utilização do combustível 100% de biodiesel”, afirmou.
Mesmo com a substituição, não foi necessário alterar os motores dos veículos, apenas a troca de alguns componentes. Após mais de 24 mil horas de testes, os resultados indicam que o desempenho é semelhante ao diesel tradicional, mantendo a eficiência operacional.
Além disso, estudos apontam redução ainda maior nas emissões. “Quando a gente olha para a literatura internacional e para a metodologia do GHG Protocol Agrícola, é possível chegar a uma redução de até 99% das emissões, o que contribui muito com a estratégia de descarbonização da companhia”, reforçou Juliana Lopez.
A expectativa agora é ampliar o uso do biodiesel para máquinas agrícolas. Para o diretor de operações agrícolas, José Eduardo Tomaz, o avanço tem um significado especial dentro da cadeia produtiva.
“Nós somos produtores de soja e esse biodiesel é feito de soja. Isso aconteceu de uma forma muito natural. Agora, rodar com B100 foi um presente para nós, um sonho”, destacou.
Com resultados semelhantes em desempenho e ganhos expressivos na redução de poluentes, o biodiesel surge como uma alternativa promissora para um futuro mais sustentável e pode, em breve, chegar ao consumidor final.


























