A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a Operação Fariseus para desarticular um grupo suspeito de utilizar um projeto religioso para prestar apoio logístico, financeiro e de comunicação a integrantes do Comando Vermelho. A principal alvo da investigação é Rhavenna Barcelos Almeida, presa preventivamente durante a ação.
Além da prisão, a Justiça determinou mandados de busca e apreensão, quebra dos sigilos telefônico, bancário e telemático dos investigados, além da suspensão temporária do acesso deles às unidades prisionais por meio de projetos religiosos.
De acordo com as investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a família utilizava um projeto de evangelização para ingressar em presídios e manter contato com lideranças da facção presas e foragidas.
Segundo o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, o grupo teria desvirtuado a finalidade da atividade religiosa para favorecer a organização criminosa.
“Foram cumpridas 27 ordens judiciais contra criminosos que atuavam em organização criminosa e lavagem de dinheiro. Eles utilizavam um projeto de evangelização dentro das penitenciárias como subterfúgio para levar recados e lavar dinheiro em prol de lideranças da facção criminosa”, afirmou.
Relacionamento com líder do Comando Vermelho
A investigação aponta que Rhavenna mantinha um relacionamento com Jonas Souza Garcia Júnior, conhecido como “Batman”, apontado pela Polícia Civil como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso.
Ele está foragido desde 2024, após romper a tornozeleira eletrônica durante o cumprimento de pena no regime semiaberto, e possui pena unificada superior a 49 anos de prisão.
Fotografias e vídeos reunidos pela investigação mostram Rhavenna ao lado de Batman durante viagens ao Rio de Janeiro, em comunidades dominadas pela facção criminosa.
Ainda conforme a polícia, a jovem continuou mantendo contato direto com o criminoso mesmo após ele se tornar foragido.
“Ela era namorada de um líder de facção. Depois que esse criminoso fugiu, ela continuou mantendo contato com ele, recebia ordens, fazia a distribuição de valores em espécie e levava recados para esse criminoso foragido”, disse o delegado.
Pais também são investigados
Os pais de Rhavenna, identificados como Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, ambos pastores evangélicos, também são investigados e foram alvo de mandados de busca e apreensão.
Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou fotografias em que o casal aparece segurando armas de grosso calibre. Segundo os investigadores, algumas das armas possuíam referências ao Comando Vermelho.
Para o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, os pais também participavam do esquema criminoso investigado.
“Os pais dela também participavam desse esquema. Recebiam recados, movimentavam valores em espécie e faziam repasses para outras pessoas. A investigação aponta que eles integravam a organização criminosa”, declarou.
Conversas com presos e lavagem de dinheiro
As investigações começaram após uma denúncia anônima que relatava a atuação de integrantes da família dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE).
Embora a suposta entrega de celulares a presos ainda não tenha sido comprovada, a análise dos aparelhos eletrônicos apreendidos revelou conversas telefônicas com detentos, videochamadas com lideranças da facção, troca de mensagens, registros de movimentações financeiras e viagens custeadas, segundo a polícia, por integrantes da organização criminosa.
A investigação também aponta que os suspeitos utilizavam contas bancárias de familiares e terceiros para receber, fracionar e redistribuir dinheiro, prática que pode configurar lavagem de dinheiro.
Segundo o delegado, a proximidade com integrantes da facção também resultava em benefícios pessoais.
“Eles ganhavam proteção e recebiam favores. A presa de hoje, por exemplo, teve uma cirurgia plástica paga por um líder da facção criminosa”, afirmou.
Investigações continuam
Os investigados respondem por suspeita de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção de menor e tortura.
A Polícia Civil informou que o material apreendido durante a operação será analisado para identificar outros envolvidos, rastrear a movimentação financeira e individualizar a participação de cada investigado.
A defesa de Rhavenna Barcelos informou que ainda não teve acesso ao conteúdo da investigação e, por isso, não irá se manifestar neste momento. A reportagem não conseguiu localizar as defesas dos demais investigados.




























