A Escola Estadual Indígena Tapurá Irantxe, localizada no município de Brasnorte, tem se destacado por uma iniciativa que integra educação, esporte e valorização cultural: o Projeto Tamukan, que utiliza o jiu-jitsu como ferramenta de formação para estudantes, profissionais da educação e membros da comunidade do povo Manoki.
Desenvolvido dentro do ambiente escolar, o projeto tem como objetivo incentivar hábitos saudáveis, fortalecer a saúde física e mental, promover a defesa pessoal e contribuir para a prevenção da violência. Ao mesmo tempo, a iniciativa reforça a identidade cultural indígena e amplia as oportunidades de desenvolvimento para crianças e jovens da comunidade.
Reconhecida como a primeira equipe indígena de jiu-jitsu de Mato Grosso, o Projeto Tamukan vem se consolidando como um espaço de aprendizado, disciplina e fortalecimento do protagonismo juvenil. As atividades são realizadas sob orientação técnica do professor Felipe Tamuxi, com apoio da gestão escolar.
De acordo com o diretor da unidade, Edivaldo Mampuche, o projeto surgiu da necessidade de oferecer aos jovens uma alternativa de prática esportiva dentro da própria comunidade, evitando deslocamentos e garantindo mais segurança aos estudantes.
Ele destaca que a proposta busca unir esporte, educação e cultura, promovendo valores como disciplina, responsabilidade e respeito, sem perder a conexão com as tradições do povo Manoki.
“Nosso objetivo, ao implantar o projeto, foi oferecer aos estudantes uma oportunidade de prática esportiva na comunidade, evitando deslocamentos e garantindo mais segurança para eles. Ao mesmo tempo, buscamos construir uma iniciativa que fortalecesse a disciplina, o compromisso com os estudos e a participação dos jovens nas atividades culturais e comunitárias”, afirmou.
Segundo o diretor, o jiu-jitsu tem se mostrado uma importante ferramenta de formação, contribuindo diretamente para o fortalecimento da identidade do povo Manoki e para o desenvolvimento dos estudantes.
Os resultados do projeto já começam a aparecer também no esporte competitivo. Na etapa Norte do Campeonato Mato-grossense de Jiu-jitsu 2026, realizada entre os dias 30 e 31 de maio, no município de Sorriso, a equipe conquistou sete medalhas: uma de ouro, uma de prata e cinco de bronze.
O desempenho reforça o impacto positivo da iniciativa, que alia formação educacional, valorização cultural e incentivo ao esporte como caminhos de transformação social dentro da comunidade indígena.
Mais do que um projeto esportivo, o Tamukan também é visto como um instrumento de fortalecimento cultural e social. Ao integrar o jiu-jitsu ao cotidiano escolar, a proposta contribui para o desenvolvimento integral dos estudantes, valorizando tanto o desempenho acadêmico quanto a identidade do povo Manoki.
A experiência da Escola Tapurá Irantxe tem se destacado como exemplo de como o esporte pode ser utilizado na educação indígena como ferramenta de inclusão, disciplina e valorização cultural.























