A Operação Dark Route, deflagrada nesta terça-feira (25), revelou uma estrutura que, segundo a Polícia Civil, mantinha a chamada “Tropa do Batman” funcionando entre Mato Grosso e Rio de Janeiro. Entre os investigados estão responsáveis pela parte financeira, logística, patrimonial e até pela proteção armada da liderança.
Ao todo, nove pessoas são alvos de mandados de prisão preventiva, além de três ordens de busca e apreensão e do sequestro de cinco veículos de luxo, avaliados em cerca de R$ 1,5 milhão.
O principal alvo é Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman, apontado como líder do grupo. Foragido da Justiça de Mato Grosso e escondido no Rio de Janeiro, ele é investigado por continuar comandando a estrutura criminosa mesmo à distância.
Veja quem são os alvos e o papel atribuído a cada um pela investigação:
Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman” — apontado como líder
Segundo a Polícia Civil, Batman seria o responsável por comandar a estrutura da organização no eixo Mato Grosso–Rio de Janeiro.
Mesmo foragido, ele teria mantido contato com operadores financeiros, soldados armados e outros integrantes do grupo.
A investigação também aponta que ele determinava pagamentos, indicava destinatários de transferências e mantinha sob sua estrutura uma frota de veículos de luxo.
Batman foi condenado a 13 anos de prisão por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, ele rompeu a tornozeleira eletrônica durante uma saída autorizada e fugiu para o Rio de Janeiro.
Guilherme Moura da Silva, o “Gui” — financeiro e logística
Guilherme é apontado como um integrante de confiança da chamada Tropa do Batman.
De acordo com a investigação, ele atuava principalmente nas áreas financeira, logística, patrimonial e armada. Teria recebido valores ligados à liderança e também repasses destinados a familiares de Batman.
A Polícia Civil identificou ainda movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada. Guilherme também aparece relacionado à posse e circulação de veículos utilizados pelo grupo e, segundo os investigadores, teria recebido um fuzil enviado por Batman.
Guilherme dos Santos da Silva, o “Gordinho” — dinheiro e armas
Gordinho é investigado por participação nos núcleos financeiro, operacional e armado.
Segundo a Polícia Civil, ele movimentou mais de R$ 3 milhões em contas próprias e de uma empresa, valor considerado incompatível com a renda declarada.
Também aparece em investigações relacionadas ao transporte de munições e foi registrado, segundo a polícia, portando e efetuando disparos com fuzil de uso restrito.
Josiel Raimundo Fernandes, o “Xuxu” ou “Hane” — segurança
Josiel é apontado como um dos soldados operacionais da estrutura.
Ele teria morado no chamado “Clube do Batman”, no Complexo do Alemão, imóvel apontado como uma das bases de apoio da liderança.
Segundo a investigação, também atuava na segurança e logística do grupo. Ele já está preso e foi detido anteriormente em uma ocorrência envolvendo uma pistola calibre .40 com numeração suprimida e um dispositivo de disparo automático.
Edenison Luiz Moura de Melo, o “Chorão” ou “Delícia” — financeiro e armas
Edenison é investigado por atuar nos núcleos financeiro, logístico e armado.
A polícia aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade econômica declarada e transferências relacionadas à estrutura financeira investigada.
Ele também é citado em episódios envolvendo guarda e remanejamento de fuzis e munições.
César Augusto Ramalho — responsável pelos carros
César aparece na investigação principalmente ligado à ocultação patrimonial.
Segundo a Polícia Civil, ele seria uma das pessoas utilizadas para manter veículos de luxo formalmente registrados em seu nome, mas que ficavam à disposição de integrantes da organização.
Entre os carros estão duas BMWs. A investigação aponta que César movimentou aproximadamente R$ 2,5 milhões em cerca de cinco meses, valor considerado incompatível com a renda declarada.
Jerremy Valério Araújo — nome usado para comprar BMW
Jerremy é investigado por ter emprestado o próprio nome para a aquisição de uma BMW utilizada pela organização.
O veículo foi inicialmente financiado e faturado em nome dele, enquanto, segundo a investigação, os principais pagamentos foram realizados por César.
Jerremy também movimentou mais de R$ 24 milhões em pouco mais de dois anos e meio, segundo os investigadores, em valores considerados incompatíveis com a renda declarada.
Luis Fernando Silva Oliveira, o “Frajola” — transporte e dinheiro
Frajola aparece como responsável pelo transporte, guarda de veículos e recebimento de dinheiro.
Segundo a investigação, ele conduziu um Audi A3 do Rio de Janeiro para Mato Grosso. O veículo já havia sido relacionado à estrutura investigada e depois foi encontrado na garagem da residência dele.
A polícia também aponta que Frajola teria sido responsável por receber dinheiro em espécie e identificado movimentações financeiras superiores a R$ 6,8 milhões consideradas atípicas.
Salomão Araújo dos Santos, o “Sal da Várzea” — soldado armado
Salomão é apontado como integrante do núcleo de proteção armada de Batman.
Foragido da Justiça de Mato Grosso, ele estaria escondido no Rio de Janeiro e teria sido visto portando armas e equipamentos táticos em áreas dominadas pela facção.
Um dos elementos citados na investigação é um vídeo em que Salomão aparece efetuando disparos com um fuzil durante uma videochamada com Batman.
Kayo Fernando Pereira da Cunha — soldado e foragido
Kayo também é apontado como soldado armado da estrutura e estaria no Rio de Janeiro, onde teria utilizado áreas dominadas pela facção como refúgio.
Segundo a investigação, ele recebia pagamentos da estrutura atribuída a Batman e chegou a pedir antecipação de valores.
A polícia também aponta que Kayo teria utilizado parte desse dinheiro para adquirir drogas em Mato Grosso com o objetivo de revendê-las.
A Operação Dark Route tenta atingir justamente essa estrutura. De um lado, os investigadores miram os foragidos que estariam protegidos no Rio de Janeiro. Do outro, atingem quem, segundo a apuração, cuidava do dinheiro, dos carros, da logística e da proteção armada.
Além das prisões, a Justiça determinou o sequestro de cinco veículos de luxo: um Porsche Boxster GTS, duas BMWs, um Audi A3 e um Volkswagen T-Cross. Os automóveis são avaliados, juntos, em aproximadamente R$ 1,5 milhão.
Segundo a Polícia Civil, o objetivo é desmontar não apenas a rede de pessoas, mas também o patrimônio usado para manter a estrutura criminosa em funcionamento.


























