Uma família em Várzea Grande segue aguardando, há cinco anos, por um desfecho judicial após o registro de uma denúncia envolvendo uma menor de idade, que teria sido estuprada pelo próprio tio. Segundo relato da mãe, em entrevista ao SBT Comunidade, programa do SBT Cuiabá, o caso foi formalizado em boletim de ocorrência, o suspeito foi identificado e chegou a prestar esclarecimentos na delegacia, mas desde então o processo não teve continuidade.
De acordo com a mãe, o acusado é abusou da vítima quando ela tinha 8 anos, e que hoje está com 14. Ela afirma que a filha passou por atendimento especializado e exames, e que os documentos comprobatórios constam no processo.
“Minha filha, às vezes ficava com o pai, que reside com esse tio. E a minha filha, consequentemente, ia passar final de semana às vezes. Para mim, ela estava num local seguro, que é para ser seguro, mas ela estava sendo abusada durante meses. Porém, diante as ameaças que ele fazia para ela, ela tinha muito medo, porque ele ameaçava a mim, a irmã, que iria nos matar, que ia fazer mal a gente. Nós nem desconfiávamos de nada”, contou.
Episódio inesperado – flagrante
A mulher relata que os fatos vieram à tona após um episódio inesperado, quando uma de suas filhas mais velhas chegou mais cedo à residência onde a irmã se encontrava e presenciou o estupro. Em seguida, a adolescente conseguiu socorrer a irmã e entrou em contato com a mãe, que levou ambas imediatamente à delegacia.
“A minha filha estava pelada, amarrada, o tio em cima dela, efetuando o abuso e a minha filha mais velha entrou em desespero, saiu correndo dentro da casa e entrou para um quarto, conseguiu trancar a porta e conseguiu socorrer a irmã pelada, desamarrou a irmã. Nisso, o tio saiu correndo ameaçando ela. Elas me ligaram. Quando eu cheguei até a residência, ele já não estava mais lá. Eu peguei as minhas filhas, socorri as socorri e fui direto para uma delegacia. Minha filha passou por exame de corpo e delito no qual foi detectado”.
A mãe afirma que o inquérito ficou por três anos na Delegacia do Menor, no bairro Planalto, e que procurava a unidade com frequência, mas era informada sobre o volume de casos e a dificuldade de andamento. Somente após a troca de delegado, o processo foi encaminhado ao Fórum.
Depois de mais um ano de espera, a família foi chamada para audiência. Segundo ela, tanto a filha mais nova quanto a irmã mais velha foram ouvidas, com acompanhamento de uma psicóloga. Apesar disso, o caso ainda não foi finalizado. “São cinco anos de luta na Justiça, com boletim de ocorrência e provas, e eu não sei mais o que fazer”, relatou.
Automutilação e sofrimento pela não resolução
A mãe também relata que a filha segue em acompanhamento psicológico. Segundo ela, a menina apresenta comportamento de automutilação e necessita de cuidados constantes.
“Foram meses de abuso e não era abuso simples, ele amarrava ela, ele torturava ela. Ela conta que ele amarrava ela com cadarço de tênis. E se ele fez isso com o sangue do sangue dele, o que que ele não faz na rua? E ele tá solto como se nada tivesse acontecido e a justiça não faz nada. Por quê? Existe a impunidade”.
A mulher afirma que o investigado continua em liberdade e reside em Várzea Grande, e destaca a preocupação com a segurança de outras crianças. “Hoje a minha filha está segura, mas e outras que estão aí?”, questionou. A mãe também disse esperar uma análise atenta por parte da juíza responsável pelo caso, para que o processo não fique, segundo ela, sem resolução.
“A minha filha, hoje, a maior pergunta que ela faz, ela fala assim: por que que ninguém fez nada? Eu não sou nada? E é isso que eu também me sinto, como se eu não fosse nada, como se minha filha não fosse nada. A dor dela não é nada? Ele fez o que fez e ficou por isso mesmo”, concluiu.
O processo segue em tramitação, e a família aguarda por uma decisão definitiva.





























