O juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, aceitou o aditamento da denúncia do Ministério Público de Mato Grosso e tornou réus Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi. Eles são acusados de ordenar o assassinato do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, morto a tiros no dia 5 de julho de 2024, em frente ao próprio escritório na Avenida Fernando Corrêa da Costa, na capital.
A decisão judicial foi proferida nesta segunda-feira (21), após o MPMT apresentar novos elementos que apontam a participação direta do casal no crime. As informações foram obtidas durante diligências complementares e resultaram na inclusão formal dos dois como réus na ação penal já em andamento. O processo também teve a descrição das condutas de outros envolvidos ajustada, entre eles Ícaro Nathan Santos Ferreira, apontado como intermediário na execução.
Disputa de terras
O magistrado determinou a citação pessoal de Julinere e Cesar, para que respondam à nova acusação no prazo legal, sob pena de nulidade. Também foi ordenada a atualização do polo passivo da ação, a notificação dos demais réus e a inclusão de novas testemunhas.
Na denúncia complementar apresentada na última sexta-feira (18), os promotores Élide Manzini de Campos e Rinaldo Segundo sustentam que há “elementos probatórios de substancial robustez” que comprovam a atuação de Julinere e Cesar como mentores intelectuais do homicídio. Segundo o MP, o crime foi motivado por ressentimentos ligados à perda de uma disputa judicial envolvendo terras no município de Novo São Joaquim (MT).
Ameaças explícitas
De acordo com o depoimento de uma testemunha, Julinere manifestava publicamente seu ódio pela vítima, chegando a fazer ameaças explícitas. Durante o litígio judicial, ela teria afirmado que “ele não ia viver para gastar o que tomou dela”. Após a morte do advogado, a testemunha relatou ter entendido que a ameaça havia se concretizado.
Ainda segundo a denúncia, Julinere teria articulado os contatos necessários para a execução do crime e, durante a investigação, admitiu informalmente ao delegado Bruno Sérgio Magalhães Abreu que participou do planejamento. Já Cesar teria sido o responsável por financiar o assassinato. O casal, segundo o Ministério Público, contratou os executores por R$ 200 mil.



























