Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (27), a Operação Vínculo Quebrado, que investiga Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, de 53 anos, mãe do prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Thiago Almeida (União), por suspeita de aplicar golpes financeiros.
Adriana não foi presa. A Justiça determinou o cumprimento de medidas cautelares diversas da prisão, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, apreensão de passaporte, proibição de viagens internacionais, restrição de contato com vítimas e bloqueio de contas bancárias.
Segundo o delegado André Luís Prado Monteiro da Silva, responsável pela investigação, as medidas têm como foco impedir fuga, preservar o andamento do processo e tentar garantir o ressarcimento às vítimas.
“O objetivo principal é evitar qualquer tipo de evasão e assegurar o retorno patrimonial às vítimas. As medidas foram representadas pela Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público e deferidas pelo Judiciário”, afirmou o delegado.
Entre as restrições impostas estão ainda a proibição de frequentar determinados locais, comparecimento periódico em juízo e recolhimento domiciliar no período noturno. Adriana também deverá se apresentar em até 48 horas para a instalação da tornozeleira eletrônica. O descumprimento pode levar à decretação de prisão preventiva.
“É importante deixar claro que não houve prisão. Foram aplicadas medidas cautelares, que podem ser revistas a qualquer momento, para mais ou para menos”, explicou Monteiro.
Indiciamentos e investigação
A investigada foi indiciada por oito crimes de estelionato e um de falsa identidade. De acordo com a Polícia Civil, ela utilizava indevidamente o nome do próprio filho, prefeito do município, para dar aparência de credibilidade às abordagens, alegando ligação com empresas prestadoras de serviços à prefeitura, o que não se confirmou durante as apurações.
“O trabalho investigativo da Polícia Civil está concluído. Orientamos que as vítimas busquem seus direitos e que outras possíveis vítimas procurem a delegacia”, destacou o delegado.
Parte da investigação também foi encaminhada para apuração de possíveis crimes relacionados à cobrança ilegal de juros, economia popular, extorsão e ameaças.
Mãe do prefeito fala em perseguição e acusa filho de violência psicológica
Em entrevista, ao SBT Comunidade, Adriana negou as acusações e afirmou estar tranquila para cumprir todas as determinações judiciais. Ela também fez graves acusações contra o próprio filho, afirmando ser vítima de violência psicológica.
“Eu jamais imaginei que passaria por isso. Estou super tranquila porque sei da minha verdade. Tudo o que a Justiça determinar, eu vou cumprir”, declarou.
A mãe do prefeito disse ainda que decidiu não se calar mais e afirmou ter provas das denúncias que fez.
“Eu sei muito mais sobre ele do que ele sabe sobre mim. Eu sempre fiz tudo por ele, apoiei em tudo. Hoje estou decepcionada como mãe, mas vou levar a minha verdade até o fim”, afirmou.
Adriana disse que já acionou a Justiça contra o filho e registrou denúncia por violência.
“Eu estava sofrendo violência psicológica. Isso estava me fazendo muito mal. Tenho todas as provas. Não estou mentindo”, declarou.
Ela também afirmou viver com medo e relatou que, mesmo com medida protetiva, se sente ameaçada.
“Tenho medo, sim. Ele não está administrando a prefeitura, está tentando administrar a minha vida. Não está me dando trégua”, disse.
Operação Vínculo Quebrado
O nome da operação faz referência à quebra de confiança e ao uso de vínculos familiares e pessoais como instrumento para a prática dos crimes. A Polícia Civil reforça que a investigada permanece à disposição da Justiça e que novas medidas podem ser adotadas conforme o andamento do processo.

























