O café ocupa um lugar afetivo e cultural na rotina dos brasileiros. Está presente no começo do dia, nas pausas do trabalho, nas conversas rápidas, depois do almoço e até como um pequeno ritual de acolhimento em casa ou no ambiente profissional. Para muita gente, o cafezinho é sinônimo de pausa, energia e convivência.
Mas, como todo hábito, o consumo também exige equilíbrio. O alerta começa quando a bebida deixa de ser apenas parte da rotina e passa a funcionar como uma forma de compensar noites mal dormidas, excesso de trabalho, cansaço constante e uma rotina acelerada e, consequentemente, prejudicando a saúde.
De acordo com o médico Dr. Jonathan Feroldi, coordenador da Linha de Cuidados em Clínica Médica da Unidade Avançada Santa Rosa, em Várzea Grande, o problema não está no café em si, mas no contexto em que ele é consumido e na quantidade. A atenção deve ser maior quando a pessoa precisa aumentar progressivamente a dose para conseguir funcionar bem, passa a consumir café à tarde ou à noite e começa a dormir pior, ou quando surgem sintomas como palpitações, tremores, ansiedade, irritabilidade e refluxo.
“O consumo de café não precisa ser demonizado. O ponto principal é entender o contexto e observar quando o excesso começa a trazer sinais para o corpo”, explica o médico.
A combinação entre rotina acelerada, pouco sono, estresse e consumo excessivo de estimulantes, como café e energéticos, pode provocar ou piorar sintomas como palpitações, tremores, sensação de ansiedade, insônia e picos de pressão. Segundo o Dr. Jonathan, isso ocorre porque o organismo fica em um estado de maior ativação, com aumento de substâncias como adrenalina e noradrenalina.
A cafeína também estimula o sistema nervoso central e pode aumentar a percepção dos batimentos cardíacos. Em algumas pessoas, esse efeito facilita a percepção de extrassístoles, que são batimentos “fora do ritmo” e que podem ser notados com mais facilidade à noite, quando a pessoa está deitada e com menos estímulos externos.
O sono ruim é outro fator que pode transformar sintomas isolados em um ciclo difícil de interromper. Dormir mal aumenta o cortisol, piora a regulação da pressão arterial, prejudica o metabolismo da glicose, reduz a tolerância ao estresse e pode intensificar sintomas emocionais, como ansiedade e irritabilidade.
“Muitas vezes, a pessoa entra em um ciclo: dorme pouco, usa mais café para render durante o dia, fica mais estimulada, dorme pior novamente e os sintomas se perpetuam como uma bola de neve”, afirma.
O consumo frequente de café em excesso e, principalmente, de energéticos exige atenção maior em pessoas com hipertensão, arritmias, transtornos de ansiedade ou histórico de problemas cardíacos. O energético, segundo o médico, merece cuidado especial porque pode reunir cafeína, outras substâncias estimulantes, grande quantidade de açúcar e consumo rápido em doses altas.
“Isso não significa que todo mundo precise cortar café. Significa que o consumo deve ser individualizado”, pontua o Dr. Jonathan.
Um dos cuidados mais importantes é não tratar toda palpitação como ansiedade. Embora crises ansiosas possam causar sintomas físicos intensos, como taquicardia, aperto no peito, falta de ar, tremores e formigamentos, nem sempre é possível diferenciar a causa apenas pela sensação.
Palpitações associadas à ansiedade costumam vir acompanhadas de tensão, preocupação, respiração curta, sensação de aperto e melhora quando a pessoa se acalma. Por outro lado, sintomas que surgem em repouso, acordam o paciente durante a noite ou aparecem junto com tontura, desmaio, dor no peito, falta de ar, sudorese ou batimentos muito irregulares precisam ser avaliados imediatamente.
Na Clínica Médica da Unidade Avançada Santa Rosa, por exemplo, a avaliação permite analisar o paciente de forma ampla. O especialista investigará a rotina de sono, trabalho, nível de estresse, consumo de cafeína e energéticos, uso de medicamentos, pressão arterial e exame físico. Dependendo do caso, o médico poderá solicitar exames laboratoriais, eletrocardiograma e Holter de 24 horas.
“A conduta nem sempre passa por medicação. Muitas vezes envolve ajuste de hábitos, redução gradual da cafeína e bebidas estimulantes, melhora da higiene do sono e controle do estresse”, destaca o Dr. Jonathan.
Alerta Máximo
Em situações de urgência, alguns sintomas não devem ser ignorados. De acordo com o médico, caso o paciente sinta dor forte ou persistente no peito, falta de ar, desmaio, confusão mental, fraqueza em um dos lados do corpo, tontura intensa, pressão elevada ou piora progressiva do quadro, o indivíduo deve procurar uma unidade médica imediatamente.
O cuidado deve ser ainda maior em pessoas que já têm doença cardíaca, arritmia, hipertensão, diabetes, doença renal, obesidade ou histórico de infarto e AVC. Nesses casos, segundo Jonathan, é melhor procurar avaliação do que esperar em casa.
“Se a pessoa percebe que café ou energético estão provocando palpitações, falta de ar, tremores ou pressão elevada, ela não deve ignorar o sinal do corpo. É importante reduzir ou suspender o consumo até entender melhor o que está acontecendo”, orienta.
No pronto atendimento, a história clínica e o exame físico são fundamentais para diferenciar uma crise de ansiedade de um problema clínico mais sério. Conforme o caso, podem ser necessários eletrocardiograma, medida seriada da pressão, oximetria, avaliação da frequência cardíaca, exames de sangue, marcadores cardíacos, raio-X de tórax e avaliação cardiológica complementar.
A Unidade Avançada Santa Rosa, em Várzea Grande, oferece Pronto Atendimento para urgências e emergências, além de atendimento ambulatorial em Clínica Médica — ideal para consultas, avaliação inicial, investigação de sintomas e encaminhamento adequado quando necessário.
Para os casos que exigem maior complexidade, o Hospital Santa Rosa reúne toda a estrutura complementar de que o paciente pode precisar: Pronto-Socorro Adulto, ambulatório, exames e Medicina Intensiva.





























