A equipe de reportagem do SBT Comunidade ouviu, com exclusividade, o perito Luis Paoli, que atuou na perícia do caso Emelly, jovem grávida de 16 anos que teve o bebê que esperava arrancado do ventre ainda viva, e terminou morta por Nataly Helen Martins Pereira, de 25 anos, assassina confessa.
O crime cruel não permitiu, nem mesmo, um perito experiente de seguir normalmente seu trabalho. “Fizemos a retirada do cadáver do local, foi ali que me deu uma reação humana. Eu não consegui fazer o profissional ficar 100%. Nós somos seres humanos antes de tudo, eu sou pai, chefe de família, por trás do perito, existe uma pessoa. Só que quando a gente chega ao local de trabalho, a gente é o profissional em primeiro plano, o pessoal fica em segundo. Naquele momento em que eu vi uma mocinha, com o abdômen aberto, enterrada, na hora que ela foi retirada, foi muito difícil manter esse profissional em primeiro plano. Eu tive que me retirar da cena, fui até um cômodo, precisei me recompor, levei uns cinco minutos pra colocar de novo o profissional em primeiro plano”, afirmou Luis Paoli.
Ele conta ainda que a colega de laboratório chegou a oferecer auxílio. “Chegou ao ponto da minha colega perguntar se eu queria que ela assumisse o local, diante da minha reação. Eu falei que não, mas é que eu tenho uma filha em uma idade muito próxima, então a emoção tomou conta mesmo ali”, detalhou ainda mais o perito sobre os momentos da perícia desse crime.
Detalhes técnicos
Logo após o primeiro momento de impacto, o perito detalhou os passos tomados. “A gente fez a coleta do material biológico, o sangue, da vítima. Também achamos sangue em uma caixa de papelão e em outros pontos, porque a ideia era comparar esse sangue com o da criança”, contou.
Paoli esclareceu ainda que uma semana depois, veio a finalização da documentação da perícia. Quando eu finalizei esse laudo, 6 ou 7 dias depois, ainda não tinha feito a confirmação, mas o processamento local continua, nesse processamento, onde estava a caixa de papelão com as gotículas, a gente passou o que chamamos de ‘luminol’, que é onde a gente detecta sangue oculto, e ele reagiu no piso todo do quarto, em alguns móveis, então era muito nítido que a abertura do abdômen foi realizada ali, onde desprendeu a maior quantidade de sangue da vítima”, afirmou.
Cenário
O profissional relatou também como foi definido o local exato onde a parte principal do crime foi realizada. “Ficou muito claro pra nós que aquele cômodo, que era um quarto, que tinha brinquedos de criança, vestuário de criança, caminhas encostadas na parede, ali é onde tudo aconteceu”.
Modo de ação
Luis Paoli afirmou que o corpo da jovem foi encontrado enterrado, com mãos e tornozelos amarrados, um cabo de internet no pescoço e uma sacola na cabeça, disse ainda que os cortes mostraram precisão no ato do crime. “Os primeiros cortes foram muito bem realizados, com instrumento de precisão mínima, pelo menos. A gente acabou constatando que foi uma navalha que foi utilizada pra isso. A ideia que nos veio no momento, foi que houve uma asfixia prévia, em algum momento ela foi imobilizada, asfixiada, para que pudesse ser realizado o procedimento de abertura do abdômen dela”, concluiu sobre os atos criminosos.
Em resposta ao repórter Arthur Garcia, responsável pela entrevista, Paoli afirmou ainda que já tinha o conhecimento de que poderia ser Emelly Azevedo Sena, que até então era dada apenas como desaparecida.





























