O delegado Nilson Farias afirmou que a versão apresentada pela mãe do menino Davi Lucas Oliveira Santos, de 5 anos, morto em um incêndio na tarde de terça-feira (3), em Cuiabá, ainda levanta dúvidas. Segundo ele, detalhes do depoimento prestado nessa quarta-feira (4) na Delegacia de Homicídios (DHPP) não coincidem com declarações anteriores dadas à imprensa.
“A mãe foi ouvida e manteve a versão de que estava em casa quando houve uma explosão, que ela caiu, mas não desmaiou, e que um homem teria a retirado do local, além de tirar a motocicleta. Mas essa pessoa não conseguiu tirar a criança. Agora ela diz que estava na cozinha e a criança no quarto, mas antes havia informado que o menino também estava na cozinha”, explicou o delegado durante entrevista exclusiva para o SBT Cuiabá.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o relato sobre uma panela de pressão. A mãe teria mencionado que o objeto estava dentro da geladeira, e que teria explodido durante o incêndio. Contudo, Nilson Farias considera essa hipótese improvável. “Uma panela de pressão precisa estar sob calor intenso para explodir. Se estava fria e guardada, não teria causado o incêndio. Tudo indica que a explosão pode ter ocorrido depois que o fogo já havia tomado conta do ambiente”, disse.
De acordo com o delegado, o local onde ocorreu a tragédia é uma casa simples, sem divisões claras entre os cômodos. “O barraco é aberto. A cama estava logo na entrada e o fogão também estava ali próximo. Essa estrutura dificulta sustentar a ideia de que ela estava em um cômodo e a criança em outro. Tudo será confrontado com o laudo da Politec”, ressaltou.
Outro ponto considerado inconsistente pelos investigadores é o fato de a mãe alegar que foi resgatada por um homem desconhecido, que ela afirma nunca mais ter visto. “Questionamos isso. Se foi alguém que salvou sua vida, por que não buscou essa pessoa depois? Ela disse que não sabe quem é e que nunca mais o viu. Essa parte da história também está sendo verificada”, afirmou o delegado.
Questionado sobre a possibilidade de responsabilização criminal da mãe, o delegado explicou que tudo dependerá das provas reunidas. Caso fique comprovada omissão por parte dela, poderá ser enquadrada até por homicídio doloso.
“O Código Penal prevê que o pai ou a mãe, por serem garantidores da vida da criança, podem responder por homicídio doloso quando sua omissão resulta em morte. Mesmo sem intenção, a omissão diante do dever de cuidado pode configurar dolo”, explicou Farias.
A Polícia Civil aguarda agora o laudo definitivo da perícia técnica para entender a dinâmica do incêndio e confirmar – ou refutar – a versão apresentada pela mãe. Novas testemunhas também devem ser ouvidas ainda nesta semana.




























