O juiz da Vara Única de Querência, Thalles Nóbrega Miranda Rezende de Britto, converteu a prisão em flagrante em preventiva do professor Clayton Reis Divino, preso por tentar matar a ex-companheira.
O acusado passou por audiência de custódia na tarde desta terça-feira (27), um dia após a prisão.
O agressor foi preso em flagrante depois de espancar e enforcar a ex-mulher, com quem tentava reatar o casamento.
A ação foi filmada pelas câmeras de segurança da casa e divulgada em rede social.
Como a ação trata de violência doméstica tramita sob sigilo e não há mais detalhes sobre o procedimento.
Segundo o Portal Transparência da Prefeitura de Querência, o professor é efetivo desde 2006 e lotado na Escola Pingo D’agua, De Ensino Fundamental, com carga horária de 30 horas semanais.
Até o momento a prefeitura não se manifestou sobre o caso de violência envolvendo do servidor.
Em entrevista ao SBT Comunidade, ela relatou que foi ameaçada de morte pelo companheiro, que invadiu a residência, a agrediu e afirmou que ela só teria duas opções: aceitá-lo ou “sair dali dentro de um caixão”. O relacionamento começou em 2021 e o casal passou a morar junto em 2023, após o nascimento do filho, uma criança com transtorno do espectro autista. A vítima contou que acreditava manter uma relação pacífica por causa do cuidado compartilhado com o filho. Essa confiança, porém, terminou de forma violenta.
“Ele quebrou a minha casa e invadiu. Me agarrou pelo braço, me jogou no sofá e disse que eu tinha que aceitar ele ou sair dali dentro de um caixão”, relatou.
Ainda conforme a vítima, o agressor deixou claro que não tinha medo da Justiça.
“Ele falou que, se eu denunciasse, eu iria para o caixão e ele para a cadeia, mas que não ficaria preso por muito tempo. Disse que quando saísse, ia me matar.”
A mulher contou que sofreu durante meses com agressões psicológicas, ameaças constantes e manipulação emocional.
“Ele dizia que ia se matar, que sem mim não conseguia viver. Falava que, se me visse com outra pessoa, não responderia por ele e que me mataria.”
O episódio mais grave aconteceu na frente do filho do casal. A vítima afirmou que tentou se proteger enquanto a criança chorava e tentava puxá-la para sair da situação.
“Eu só pensava no meu filho. Falava que ia morrer. Se não fosse a vizinha, ele teria me matado.”
A vizinha interveio e entrou em luta corporal com o agressor para impedir que o crime fosse consumado. Mesmo assim, a mulher ficou ferida e em estado de choque.
“Foi tentativa de homicídio. Eu estou toda machucada, dolorida. De tanto lutar para sobreviver.”
Apesar da denúncia, o medo permanece. A vítima afirma viver em constante pânico e diz não acreditar que a distância seja suficiente para protegê-la.
“Minha mãe quer que eu vá embora, mas não existe ir embora. Ele vai me achar.”
O maior temor, segundo ela, é pelo filho. “Eu só penso no meu filho. Ele precisa de mim. Tenho medo de ele me matar ou de machucar a coisa que eu mais amo.”
No fim da entrevista, a mulher fez um desabafo que resume o sentimento de insegurança vivido por muitas vítimas de violência doméstica.
“Ele paga de bom moço na sociedade. Não tem passagem, é réu primário. Vai sair logo. E eu continuo com medo.”
O caso é investigado pelas autoridades como tentativa de feminicídio.
























