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'REGIME DE TERROR'

Delegado: ‘Líder de facção reagiu abordagem, atirou contra policiais e morreu em confronto’

Em entrevista ao SBT Cuiabá, Nilson Farias descreveu violência extrema do grupo, incluindo espancamentos, casamento forçado e execução no Dia dos Pais
Nilson Farias // SBT Cuiabá

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O delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios (DHP), detalhou a operação que resultou na morte de Bruno Amorim, conhecido como Vasco, apontado como principal líder de uma facção criminosa que atuava em Várzea Grande. Ele morreu após reagir à abordagem das equipes da Coordenadoria de Operações Especiais (Core).

Segundo o delegado, Vasco exercia o comando direto sobre integrantes da organização e autorizava execuções na área dominada pelo grupo. No local, os policiais encontraram uma pistola, utilizada pelo suspeito no momento do confronto. “Ele tentou contra a equipe, que precisou reagir. O Samu foi acionado, mas ele não resistiu”, explicou o delegado em entrevista ao SBT Cuiabá.

‘Regime de terror’ 

O delegado afirmou que a operação foi desencadeada após a polícia confirmar que criminosos haviam tomado o controle de uma área invadida onde viviam cerca de 500 pessoas, submetidas às regras impostas pela facção. Os criminosos cobravam “tributos” de comerciantes, exigiam documentos de moradores e interferiam até mesmo em quem buscava atendimento na delegacia.

“As pessoas não viviam uma vida normal. A facção dominava a região e impunha medo”, destacou Farias.

As investigações tiveram avanço após o assassinato de  José Wallafe dos Santos, morto e enterrado em uma cova atrás do residencial. O crime teria sido motivado pela desconfiança dos criminosos em relação a uma tatuagem de palhaço com o número 3, presente na coxa da vítima, símbolo que, segundo eles, poderia representar ligação com grupo rival.

José Wallafe, que havia vindo de Maragogi (AL), presenciou um “salve” — ritual de tortura — realizado em praça pública. Curioso, aproximou-se para ver o que estava acontecendo. Ao notarem sua tatuagem, os criminosos o abordaram, o despiram e iniciaram espancamentos. A esposa e o filho de 2 anos também foram sequestrados.

“Eles quebraram o braço da esposa, sequestraram a família e realizaram um pseudocasamento, obrigando a mulher a ‘casar’ com um dos membros na frente do marido. Ela contou que foi o único momento em que ele chorou. Depois disso, executaram José Wallafe no Dia dos Pais”, relatou o delegado.

Após o crime, a mulher foi obrigada a viver com o algoz por um período, sendo liberada somente após ações do 4º Batalhão da PM, que forneceu informações cruciais à Polícia Civil. Ela foi acolhida e, posteriormente, ajudou a detalhar a dinâmica da facção.

Mulheres investigadas

A operação também teve como alvos duas mulheres. Uma foi presa temporariamente, e outra está foragida.

Segundo o delegado, uma das suspeitas tinha participação direta nas agressões. Já a outra atuava como apoio, repassando informações e mantendo contato entre membros da facção.

Avanço de facções

O delegado Nilson Farias ressaltou que a integração entre forças de segurança tem sido fundamental no combate ao crime organizado.

“No Mato Grosso não será aceito que facções se instalem. A Polícia Civil, a Polícia Militar e todos os órgãos vão se unir para garantir ao cidadão o direito de viver livre”, afirmou.

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