O policial penal Emerson Jeremias de Matos, preso após matar o enteado Atlas Yuri dos Santos com um tiro na cabeça em uma propriedade rural de Cuiabá, foi colocado em liberdade após passar por audiência de custódia na tarde desta quinta-feira (11).
A decisão é da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá. Ao analisar o caso, a magistrada homologou a prisão em flagrante, mas concedeu alvará de soltura ao policial. Na decisão, ela destacou que existem indícios de possível legítima defesa, tese apresentada pela defesa e que ainda será aprofundada durante a investigação conduzida pela Polícia Civil.
Apesar da liberdade concedida, Jeremias terá que cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre elas estão o comparecimento a todos os atos do processo, a obrigação de informar previamente qualquer mudança de endereço e a suspensão do porte de arma enquanto o caso estiver sendo apurado.
A decisão foi tomada horas depois de virem a público trechos do depoimento prestado pelo policial à Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Durante o interrogatório, Jeremias apresentou sua versão para a morte do enteado e afirmou que agiu para preservar a própria vida durante uma luta corporal.
Segundo o policial, Atlas teria mudado de comportamento após a morte do pai. No depoimento, ele afirmou que o jovem passou a fazer uso de álcool e drogas e apresentava episódios frequentes de agressividade.
Jeremias relatou aos investigadores que os conflitos não envolviam apenas ele, mas também a própria mãe de Atlas. De acordo com o policial, o enteado não morava na propriedade, mas costumava ir ao local quando consumia bebidas alcoólicas ou entorpecentes.
Ainda segundo o depoimento, Atlas costumava andar com uma faca presa à cintura, informação que agora será analisada pela equipe de investigação.
O policial também descreveu os momentos que antecederam o disparo fatal.
Ele contou que foi até a propriedade após ser chamado pela companheira e que encontrou o enteado no local. Segundo sua versão, os dois iniciaram uma discussão que rapidamente evoluiu para agressão física.
Jeremias afirmou que Atlas partiu para cima dele e que temeu ser atacado porque o jovem estaria armado com uma faca.
O policial relatou que chegou a sacar a arma e efetuar um primeiro disparo, que não atingiu a vítima. Em seguida, segundo ele, os dois entraram em luta corporal.
No interrogatório, Jeremias declarou que foi derrubado no chão e imobilizado com um golpe conhecido como mata-leão. Ele disse que temeu perder o controle da arma e que tentou efetuar um novo disparo na direção do abdômen do enteado.
Ainda de acordo com a versão apresentada à DHPP, durante a luta o tiro acabou sendo desviado e atingiu a cabeça de Atlas Yuri.
Após o disparo, o policial permaneceu no local até a chegada das equipes de atendimento e acabou preso em flagrante.
A investigação agora busca confrontar o depoimento prestado por Jeremias com os laudos periciais, exames balísticos e relatos de testemunhas.
Um dos pontos analisados pela Polícia Civil é a dinâmica do confronto narrada pelo policial. A apuração também busca esclarecer a posição dos envolvidos no momento do disparo e verificar se os vestígios encontrados na cena são compatíveis com a versão apresentada pelo investigado.
O caso segue sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Cuiabá.




























