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APÓS VISTORIA DO TCE

VÍDEO | Câmara deve abrir CPI para apurar compras da Educação, diz Paula Calil

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A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, Paula Calil, afirmou nesta sexta-feira (29),  que a Casa deve abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos da Secretaria Municipal de Educação. A declaração foi feita após a vistoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) em um almoxarifado da pasta, onde foram encontrados milhares de livros e materiais didáticos que agora fazem parte de investigações conduzidas por órgãos de controle.

Segundo Paula Calil, a abertura imediata depende da conclusão de outras CPIs que já estão em andamento na Câmara Municipal.

“Hoje nós temos cinco CPIs em andamento. Precisamos aguardar a finalização de uma delas para que uma nova comissão possa ser instalada. Mas isso não significa que a Câmara ficará parada. A Comissão de Educação já está se movimentando e acompanhando o caso”, afirmou.

Durante a inspeção, vereadores acompanharam o presidente do TCE, Sérgio Ricardo, o prefeito de Cuiabá Abilio Brunini, auditores e representantes da Prefeitura para verificar materiais armazenados e contratos que estão sob investigação.

Segundo Paula Calil, uma das situações que mais chamou atenção foi a aquisição de materiais voltados para informática em escolas que sequer possuem estrutura adequada para utilização.

“Uma das falas das diretoras foi justamente sobre os livros de informática. Foram adquiridos materiais para essa área, mas algumas unidades não têm laboratório de informática. Como as crianças vão aprender na prática se não existe a estrutura necessária?”, questionou.

A presidente da Câmara afirmou que a visita teve como objetivo verificar de perto os materiais armazenados e ouvir profissionais que atuam diretamente nas escolas.

“É importante ouvir as diretoras, ouvir quem está na ponta. Estamos acompanhando o que existe no depósito, o que foi encaminhado para as unidades escolares e qual é a efetiva utilização desses materiais”, declarou.

A vereadora também informou que o secretário municipal de Economia, Marcelo Bussiki, e o contador-geral do município, Éder Galiciani, foram convidados para prestar esclarecimentos aos parlamentares.

“Os dois nomes foram citados durante os debates realizados na Câmara e entendemos que é importante ouvi-los para esclarecer todos os fatos”, disse.

Prioridades da Educação

Paula relembrou visitas realizadas às escolas municipais no início do ano e afirmou que encontrou unidades enfrentando dificuldades para realizar pequenos reparos e adquirir materiais básicos.

“Eu estive nas escolas em janeiro e vi a preocupação dos diretores. Muitas unidades precisavam de materiais de limpeza, manutenção e pequenos reparos para receber os alunos no início do ano letivo”, relatou.

Para a presidente da Câmara, é necessário entender se os recursos foram aplicados de acordo com as prioridades da rede municipal.

“Hoje ouvimos informações de que valores significativos foram destinados para aquisição de livros enquanto outras necessidades consideradas urgentes não haviam sido atendidas. Isso precisa ser esclarecido”, afirmou.

Investigação em andamento

Paula Calil também comentou as declarações feitas pelo ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, durante sessão na Câmara Municipal.

“Nós ouvimos atentamente o posicionamento dele. Agora é importante ouvir os demais envolvidos, as diretoras das escolas, os técnicos e acompanhar todas as investigações em andamento”, declarou.

A presidente da Câmara defendeu que os fatos sejam apurados pelos órgãos competentes.

“Vejo necessidade de investigação para que tudo seja esclarecido e para que a população saiba exatamente como esses materiais foram adquiridos e quais critérios foram utilizados”, concluiu.

Relembre o caso

A Prefeitura de Cuiabá denunciou aos órgãos de controle possíveis irregularidades na compra de materiais didáticos realizada entre 2025 e 2026 pela Secretaria Municipal de Educação.

Nesta sexta-feira (29), durante vistoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado, foram encontrados mais de 16 mil livros armazenados em um almoxarifado da pasta. O material faz parte de contratos que, segundo a Prefeitura, podem ultrapassar R$ 80 milhões.

A gestão municipal afirma que cerca de R$ 21 milhões já foram pagos e aponta suspeitas envolvendo livros adquiridos por valores considerados acima do mercado, materiais sem utilização pedagógica e conteúdos que podem ter sido produzidos com auxílio de inteligência artificial.

O caso é investigado pelo TCE, Ministério Público, Controladoria Geral do Município e outros órgãos de fiscalização.

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