Aos 68 anos, Maria Gomes da Silva Mata já acumula décadas de experiência diante das urnas. Aos 69, o marido, Manoel Messias Xavier da Mata, também não abre mão de participar das eleições. Para o casal, votar é mais do que uma obrigação: é uma forma de exercer a cidadania e ajudar a decidir os rumos do país.
“Eu vejo assim que a gente tem que votar, porque é uma responsabilidade nossa. A gente tem que escolher quem vai governar e viver no Brasil que nós vivemos”, afirmou Maria.
Manoel também mantém o compromisso com as urnas mesmo depois de chegar à terceira idade.
“Quando nós chega na terceira idade, a gente não pode deixar que discrimina a gente. Então, eu vou votar, quero participar e ser bem recebido”, disse o aposentado.
A participação de eleitores mais velhos representa uma parcela cada vez maior do eleitorado de Mato Grosso. Quase 20% dos eleitores do estado têm mais de 60 anos, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).
De acordo com a juíza auxiliar da Presidência do TRE-MT, Edna Coutinho, o envelhecimento da população também se reflete na composição do eleitorado brasileiro.
“No Brasil, nós temos aproximadamente 30 milhões de pessoas com mais de 60 anos. A cada cinco eleitores, aproximadamente um é idoso”, explicou.
Crescimento acima da média
O número de eleitores com mais de 60 anos cresceu 33,4% em Mato Grosso entre 2020 e 2023. No mesmo período, o eleitorado total do estado aumentou 13,9%.
Isso significa que mais de 129 mil eleitores passaram a fazer parte desse grupo no período.
Para Edna Coutinho, além da representatividade numérica, o voto dos eleitores mais velhos tem um diferencial importante: a experiência acumulada ao longo da vida.
“Além de ser o voto de uma pessoa que precisa ser ouvido, é um voto qualificado pela experiência”, destacou.
Eleitores que acompanham a história
Entre os idosos que fazem questão de participar das eleições está Julgilas Wladas Albernaz Garcia, conhecido como repórter Flexa. Policial aposentado, ele acompanha a política há décadas e testemunhou momentos importantes da história brasileira e de Mato Grosso, como a redemocratização, a divisão do estado e o crescimento econômico da região.
Para ele, essa trajetória faz com que o eleitor mais velho tenha uma visão diferente na hora de escolher os representantes.
“O voto do idoso tem peso porque ele tem experiência. Ele já viveu várias situações, acompanhou vários governos e consegue analisar melhor aquilo que está acontecendo. É um voto que tem uma importância muito grande, como é o caso do idoso”, afirmou.
Em Mato Grosso, 212.571 eleitores têm 70 anos ou mais. Nessa faixa etária, o voto deixa de ser obrigatório, mas muitos continuam fazendo questão de participar.
É o caso do terapeuta Eriseu Ribas Trindade, de 73 anos. Ele acompanha a política desde antes do período da ditadura militar e mantém o hábito de votar mesmo sem a obrigação prevista pela legislação.
“Eu acompanho a política desde antes da revolução. Sempre participei e sempre procurei acompanhar o que acontece no país. Eu acho importante que as pessoas compareçam às urnas e votem”, disse.
Para esses eleitores, a idade pode até mudar as regras de participação, mas não diminui a disposição de exercer o direito de escolher quem vai representar a população.






















