Aos 76 anos, Maria de Lourdes divide a rotina entre os cuidados com a família e um momento que se tornou essencial para a própria vida: o baile dos idosos promovido pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Cristo Rei, em Várzea Grande.
Artesã, ela cuida sozinha de duas irmãs idosas. Uma delas tem Alzheimer e a outra enfrenta dificuldades de locomoção. Mesmo diante das responsabilidades, Maria encontrou na atividade semanal um espaço para aliviar a mente e renovar as energias.
“Eu não paro”, conta a idosa, que há 17 anos participa das atividades oferecidas pelo CRAS.
Para ela, o encontro é uma forma de cuidar da própria saúde emocional. “É um momento para ter um segundo de paz. Quando eu chego em casa, é outra energia”, relata.
O baile reúne histórias de vida diferentes, mas com um ponto em comum: a busca por convivência e alegria. Entre uma música e outra, surgiram também novas histórias de amor, como a de Joacir Silva e Ronaldo Adorno, que se conheceram no espaço e estão juntos há 15 anos.
“Eu sempre gosto de vir aqui. Foi onde começamos a paquerar”, lembra Joacir.
Para outros participantes, o baile representa uma oportunidade de superar momentos difíceis. Elizabeth Vechiatto Dias dos Santos, aposentada, encontrou no grupo uma forma de enfrentar o luto e voltar a sorrir após a perda do marido.
“Sou viúva há 20 anos e encontrei aqui uma nova família”, afirma.
O encontro acontece todas as terças-feiras, das 14h às 16h, e reúne idosos de diferentes bairros de Várzea Grande e também de Cuiabá. Mais do que dança, o espaço promove integração, troca de experiências e participação em outras atividades oferecidas pelo CRAS.
“É um espaço de convivência que vai muito além da dança”, explica a equipe responsável pelo projeto.
Na pista, não existem regras. Dona Amélia de Melo mostra que é possível se divertir com ou sem parceiro. Para ela, o importante é não ficar parado.
“Aqui é muito divertido. Eu amo dançar”, diz.
Além do baile, os participantes também têm acesso a rodas de conversa, oficinas de artesanato, tricô e outras ações de fortalecimento de vínculos.
Segundo a equipe do CRAS Cristo Rei, o objetivo é proporcionar qualidade de vida e combater o isolamento social entre os idosos.
“Eles gostam muito. Aqui encontram os amigos e se sentem acolhidos. Eu defino esse baile em uma palavra: amor”, destaca a gerente da unidade, Leidy Sabrina.
Com música, encontros e novas amizades, o baile virou um compromisso semanal para quem descobriu que nunca é tarde para recomeçar.



























