Após a retirada dos ambulantes da Rua 13 de Junho, no centro de Cuiabá, a Prefeitura Municipal tem acompanhado de perto a reorganização dos trabalhadores no novo espaço designado para o comércio informal. A secretária municipal de Ordem Pública, delegada Juliana Palhares, afirmou que o sucesso da iniciativa depende, principalmente, do comprometimento e da autogestão dos próprios comerciantes.
Segundo Palhares, um dos maiores desafios iniciais foi o relacionamento entre os trabalhadores brasileiros, muitos com décadas de atuação como ambulantes, e os imigrantes – especialmente haitianos e venezuelanos – que também ocupam o local.
“Antes havia uma certa rixa entre eles, mas agora conseguiram entrar em consenso e se organizar. Eles próprios se autorregularam para que o espaço funcionasse”, explicou.
A secretária enfatizou que, mais do que a atuação da prefeitura, a continuidade e o sucesso do novo ponto comercial dependem da coletividade. “Falei para eles: não adianta trazerem as demandas de falta de consenso entre vocês para que a prefeitura resolva. Vocês precisam fazer esse lugar dar certo. Porque a demanda é do coletivo, não do interesse de A ou B”, reforçou.
Adaptação e desafios
Embora parte dos ambulantes tenha conseguido manter a clientela, principalmente os que estão mais próximos à antiga localização, outros ainda enfrentam dificuldades. “Alguns reclamam que não conseguem tirar a mesma média de vendas. Principalmente os que estão mais afastados, onde a movimentação de pessoas é menor”, relatou.
Para ajudar nesse processo, a prefeitura tem dialogado com os ambulantes sobre estratégias para atrair o público ao novo espaço. “Disse a eles: vamos promover eventos, criar formas de movimentar a área toda, para que o público circule por todas as barracas, inclusive as que ficam mais no alto da ladeira”, sugeriu a gestora.
Fiscalização e medidas firmes
Apesar do diálogo e da tentativa de mediação, a secretária deixou claro que há limites. Alguns ambulantes ainda tentam retornar a pontos antigos ou montar barracas fora do local determinado. Nesses casos, a fiscalização será rigorosa. “Já passamos da fase da conversa e da orientação. A próxima etapa é a apreensão de mercadoria. E muitos desses produtos, infelizmente, não têm origem comprovada. Isso gera um prejuízo grande para quem insiste em burlar as regras”, alertou.
Juliana Palhares finalizou reforçando que a prefeitura continuará monitorando a situação, mas que a organização e o futuro do novo espaço estão nas mãos dos próprios trabalhadores: “Eles têm a chance de fazer dar certo. O espaço é deles – e depende deles mantê-lo funcionando e atrativo para a população, finalizou”.


























