Após uma denúncia, a equipe de reportagem do SBT Comunidade, programa do SBT Cuiabá, investigou um abrigo de idosos em Várzea Grande e encontrou condições precárias. No local – que não possuía identificação na fachada indicando ser um lar para pessoas da terceira idade – assistidos reclamaram da alimentação, atendimento e falta de cuidados. A Guarda Municipal recebeu denúncia de maus-tratos do local, que não possui registro no conselho competente (assista a reportagem completa no final da matéria).
A equipe foi recebida por uma funcionária que contatou a proprietária, a qual autorizou a entrada. No interior, a piscina não possuía proteção, representando risco aos residentes.
Uma residente relatou estar no local contra sua vontade e mencionou abusos. Ela também afirmou que seu benefício financeiro foi tomado e comparou sua situação à de um “cachorro sem dona na rua”. “Eu estou aqui na marra. Aqui abusam muito da gente. A mulher quebrou até minha bengala. Eu estou sofrendo. Eu tinha eu tinha meu benefício, e pegaram meu benefício, tiraram de mim”, reclamou.
Em um dos quartos, um idoso foi encontrado desacordado e com sinais de fraqueza extrema. Na geladeira, havia alimentos aparentemente estragados e o congelador não funcionava corretamente, acumulando água e produtos descongelados.
O abrigo cobra mensalidades entre R$ 1,4 mil e R$ 1,5 mil, e atende 15 idosos. A proprietária mencionou despesas como aluguel de R$ 4 mil, energia de R$ 1 mil, água de R$ 950 e compras mensais de R$ 4 mil. “A gente já pediu mesmo para Vigilância vir, a gente tá mexendo com o documento. Mas, a gente tá fazendo o que é possível. A limpeza, hoje vim de limpar tudo. Vocês chegaram agora de manhã, à tarde eu vou fazer a compra, aí fica tudo organizado”, alegou a responsável.
No banheiro, o piso estava molhado e havia fios elétricos desencapados próximos ao chão, representando risco de choque. Nos quartos, mais fiações expostas foram encontradas próximas às camas.
Pai e madrasta morreram no local
Uma mulher, que preferiu não se identificar, relatou que seu pai esteve internado no abrigo e faleceu após perder peso e adoecer rapidamente. Ela descreveu condições de sujeira e mau cheiro, além de alimentação de baixa qualidade e agressões verbais.
“Meu pai aceitou ir lá para essa casa. A gente achava que ia ser um lugar bom, de bem cuidado dos idosos, mas com o tempo, a gente foi vendo que o meu pai foi só em enfraquecendo e emagrecendo, perdeu os movimentos da perna e quando deu um tempo a gente já assustou. Meus pai já estava já praticamente morto numa cama. Era sujeira na cama, [cheiro] muito forte de xixi. Era todo local da casa era assim, não só meu pai passando. Resgatamos meu pai, mas quando a gente conseguiu resgatar já era tarde demais. Acabou meu pai vindo a falecer, agora dia 19 de fevereiro. A minha madrasta também morreu nessa casa”, relatou.
Idosa amordaçada
Um ex-funcionário, que trabalhou por quatro meses no local, classificou a situação como absurda. Ele mencionou que uma senhora já foi amordaçada e que, em ocasiões de falta de água potável, os residentes bebiam água da piscina com cloro.
“Tem a senhorinha que foi amordaçada, a dona Glória. O pessoal bebe água da piscina, às vezes que acaba a água, não compram água potável. A maioria das vezes, a água que eles tomam é da piscina com cloro. A alimentação é péssima, arroz, feijão. Eu nunca vi um bife ali, nem um frango, é um ossinho. Agressões verbais tinham bastante. Já chegou dia de eu ouvir falar que uma senhora precisava de sexo, porque era velha, estava nervosa num lugar daquele ali. Arrastaram a senhora para colocar no quarto”, relatou o ex-funcionário.
Guarda Municipal e MP acionados
A Guarda Municipal recebeu denúncia de maus-tratos no abrigo, que não possui registro no conselho competente. O Ministério Público já foi acionado e uma fiscalização ocorreu no local após a visita da equipe de reportagem.
A expectativa é que o Conselho do Idoso, por meio do Ministério Público, intervenha na situação do abrigo, que apresenta sérios riscos aos moradores, que sofrem com a falta de condições dignas.






























