A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Souza e Silva, disse que a instituição está enfrentando um dos momentos mais delicados de sua história recente. Em entrevista à imprensa, ela afirmou que a universidade foi encontrada pela atual gestão em estado de precarização, desorganização e abandono, consequência de “contextos políticos e administrativos que marcaram os últimos anos”.
As declarações foram feitas após o homicídio de uma mulher, identificada como Solange, ocorrido dentro do campus de Cuiabá no dia 24 de julho. Além do assassinato, dois casos de assédio sexual contra estudantes foram registrados nos dias 28 e 30 do mesmo mês. “É surpreendente, desagradável e lamentável comprovar um homicídio dentro do espaço físico da universidade”, disse Marluce.
Ela destacou que a gestão assumiu há apenas nove meses e que a segurança é uma das prioridades do mandato. “Nós só chegamos como reitora porque nos comprometemos com pautas importantes como segurança, dignidade no trabalho, no aprendizado, combate à hostilidade e à violência, principalmente o assédio”, declarou.
Entre as ações anunciadas para enfrentar o cenário de insegurança estão:
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Adesão ao programa estadual Vigia Mais, com a instalação de câmeras de monitoramento em pontos estratégicos do campus, prevista para ser concluída em até 30 dias;
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Criação de um botão do pânico, que será disponibilizado a estudantes, técnicos e professores;
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Revisão dos contratos com empresas de vigilância, com foco na presença de vigilantes do sexo feminino em locais de maior vulnerabilidade;
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Abertura de guaritas nos fins de semana, e rondas mais intensas da Polícia Militar, com estimativa de passar pelos principais pontos do campus a cada 15 minutos.
A reitora também revelou que os vigilantes terceirizados da universidade já possuem contrato que prevê a proteção tanto do patrimônio quanto das pessoas, e que estão sendo convocados para prestar esclarecimentos sobre os recentes casos.
Em reunião com representantes estudantis, a UFMT recebeu um documento com 10 reivindicações urgentes, entre elas: a criação de uma Comissão Permanente de Segurança, maior oferta de transporte interno, proteção reforçada na Casa do Estudante e vigilância feminina em locais sensíveis, como banheiros e pontos de ônibus. “Temos plena concordância com os pedidos dos alunos”, afirmou.
Atualmente, a universidade investe cerca de R$ 540 mil mensais em segurança. Do total de R$ 160 milhões destinados à manutenção e custeio de todas as unidades da UFMT (Cuiabá, Várzea Grande, Sinop e Araguaia), uma parte significativa será redirecionada para garantir a segurança da comunidade acadêmica.
“A nossa missão é garantir que os estudantes e servidores possam permanecer na universidade com dignidade, segurança e respeito. Estamos enfrentando esse desafio com toda a nossa energia e contamos com o apoio do governo estadual, municipal e da própria comunidade para transformar essa realidade”, concluiu Marluce.



























