Antes de se tornar um exemplo de superação, Moisés Taques já era conhecido pelo bom humor e pela dança. Foi justamente na internet que ele encontrou uma oportunidade de trabalho, depois de enfrentar dificuldades para conseguir um emprego por causa do peso.
“Muitas pessoas não queriam me dar emprego por conta da minha obesidade. Eu comecei a gravar os vídeos na internet, e foi fluindo por conta disso, de eu não conseguir um emprego”, contou.
Em 2021, um vídeo de dança no lambadão viralizou. A partir daí, os vídeos se multiplicaram, vieram os contratos e a dança passou a ser também uma fonte de renda.
Para Moisés, no entanto, dançar sempre representou muito mais do que trabalho.
“Quando eu começo a dançar, eu me liberto, eu me sinto livre. A dança pra mim é muito importante, porque é tipo uma terapia”, afirmou.
Foi durante uma gravação que a vida dele mudou. Ao pular, Moisés sentiu o joelho virar e caiu. A lesão rompeu vários ligamentos e o deixou sem conseguir andar normalmente.
“Quando eu pulei, eu senti que o meu joelho virou. Na hora que o meu joelho virou, eu não consegui levantar. Minha perna fez ‘crack’. E nisso estourou vários ligamentos”, relembrou.
Na época, Moisés estava com mais de 320 quilos, o maior peso que já havia atingido. Para ele, a lesão significava muito mais do que enfrentar uma cirurgia. Era ficar longe da dança, do trabalho e da rotina que conhecia.
“Eu achei que minha vida tinha acabado ali. Porque eu sempre vivi disso de movimentar, eu sempre vivi da dança. Eu falei: ‘e agora, como que eu vou ganhar meu dinheiro sendo que eu não vou poder dançar?’”, contou.
O resgate precisou ser feito pelo Corpo de Bombeiros, com a participação de mais de 20 pessoas para retirá-lo de casa. Moisés passou cinco meses internado e ficou cerca de um ano e três meses sem conseguir andar normalmente.
Durante a recuperação, surgiu outro desafio. Ele precisava fazer uma ressonância magnética para avaliar a extensão das lesões no joelho, mas não conseguia realizar o exame por causa do peso. Foi necessário emagrecer cerca de 50 quilos para conseguir entrar no equipamento.
Acamado, passou a depender dos pais para atividades básicas do dia a dia. A mãe acompanhou de perto os momentos mais difíceis e diz que nunca deixou de acreditar na recuperação do filho.
“Nunca perdi a esperança. Sempre passei energia positiva para ele. Nunca falei ‘você não vai conseguir’ ou ‘nós não vamos conseguir’”, afirmou.
A presença dos pais foi fundamental para Moisés durante o período mais difícil.
“Minha mãe foi essencial. Minha mãe e meu pai foram essenciais para mim estar hoje aqui”, disse.
Aos poucos, o peso começou a diminuir. Moisés passou por uma cirurgia bariátrica e, depois de uma longa recuperação, chegou aos 170 quilos. São cerca de 150 quilos a menos.
Mas a mudança não terminou na balança. Depois de reaprender a se movimentar, ele passou a frequentar a academia como parte da recuperação.
Hoje, Moisés treina uma hora e meia por dia, de segunda a sexta-feira. Os exercícios são adaptados por causa das lesões no joelho e acompanhados de perto por um profissional.
“Por conta das lesões do Moisés, depois do fortalecimento, tivemos que fazer um ajuste nos treinos, até porque o grau de amplitude que ele tinha que fazer nos movimentos precisava ser delimitado”, explicou Pedro Henrique, instrutor de academia.
O que hoje faz parte da rotina já foi impossível para ele. Até mesmo utilizar alguns aparelhos exigia adaptações.
“Antes, a esteira não me cabia. Eu tinha que andar meio torto, meio caindo. Hoje eu já posso fazer a esteira mais normal”, contou Moisés.
A evolução também aparece na mobilidade e na confiança para realizar atividades que antes não conseguia.
Para Pedro Henrique, o esforço de Moisés vai muito além da transformação física.
“Tudo o que o Moisés vem fazendo — só pelo fato de ele querer mudar e evoluir, não só esteticamente, mas sim pela saúde e pela vida dele — é algo extremamente maravilhoso”, destacou.
Na academia, Moisés também encontrou uma forma de cuidar da mente.
“Para mim, é tipo como se eu fosse no psicólogo. Eu chego lá, espareço a minha cabeça, consigo treinar, não pensar tanto assim”, relatou.
E a dança, que um dia foi trabalho, terapia e motivo para milhares de pessoas acompanharem seus vídeos nas redes sociais, voltou a fazer parte da vida dele.
Agora, com cuidado e respeitando os limites do corpo, Moisés voltou a dançar.
A história ainda está em movimento. E, para ele, o próximo passo continua sendo acreditar.
“É só acreditar, sabe? ‘Eu vou conseguir, eu vou conseguir, eu vou conseguir’. E acreditando, a gente consegue.”


























