O processo que investiga a morte do verdureiro Francisco Lúcio Maia, atropelado em abril de 2018 na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá, pode ter um novo desfecho. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ofereceu um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) à médica Letícia Bortoloni, acusada pelo atropelamento.
A proposta foi apresentada nesta semana e prevê que a médica cumpra uma série de medidas para evitar o prosseguimento da ação penal. Entre elas estão o pagamento de R$ 500 mil, prestação de serviços à comunidade e a suspensão do direito de dirigir pelo período de um ano.

A defesa informou que ainda analisa os termos do acordo e deve apresentar uma resposta até a próxima segunda-feira (13). Caso a proposta seja recusada, o processo seguirá normalmente na Justiça.
Segundo o advogado da médica, Giovane Santin, a demora na tramitação do caso não foi provocada pela defesa.
“É importante deixar claro que não foi a defesa quem prolongou esse processo. Houve uma alteração da imputação por parte do Ministério Público, além dos recursos apresentados ao longo da ação.”
O acidente aconteceu na madrugada de 14 de abril de 2018 e foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram o momento em que Francisco Lúcio Maia é atingido enquanto atravessava a Avenida Miguel Sutil. Na época, Letícia Bortoloni afirmou que não percebeu ter atropelado uma pessoa.
Para a família da vítima, no entanto, a proposta representa um sentimento de impunidade.
A filha do verdureiro, Francinilda da Silva, criticou a possibilidade de um acordo e disse que esperava ver a acusada responder criminalmente pelo caso.
“Eu imaginava uma sala de audiência, um julgamento. Sempre acreditei que a Justiça seria feita.”
Ela também questionou o tratamento dado ao caso.
“Ela não atropelou um cachorro. Ela atropelou um ser humano. Se fosse qualquer outra pessoa, será que estaria solta até hoje?”
Outra filha da vítima, Francivânia da Silva, afirmou que o consumo de bebida alcoólica pelo pai, apontado durante o processo, não retira a responsabilidade da condutora.
“Quem estava dirigindo era ela, não era meu pai. Foi ela quem atropelou e matou.”
Segundo a família, a discussão jurídica nunca apagou a dor da perda.
Se a médica aceitar o acordo proposto pelo Ministério Público, o caso poderá ser encerrado sem julgamento.
Caso contrário, a ação penal seguirá seu curso normal na Justiça.




























