O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu a criação de uma rede de restaurantes populares em todos os 142 municípios do estado, com refeições ao custo de R$ 2. A proposta será incluída no Plano de Metas Mato Grosso 2050 e foi apresentada durante visita ao Restaurante Popular de Cuiabá, nesta segunda-feira (27), onde o conselheiro almoçou junto aos frequentadores da unidade.
Segundo Sérgio Ricardo, a quantidade de restaurantes seria definida conforme o tamanho de cada município. A sugestão prevê, por exemplo, seis unidades em Cuiabá, quatro em Várzea Grande, três em Rondonópolis e quatro em cidades como Sinop e Nova Mutum.
Durante a visita, o presidente do TCE destacou a importância da iniciativa diante do cenário de vulnerabilidade social no estado. “Hoje eu comi feijão e arroz, cozido de carne com mandioca, salada, guisado de abobrinha, sobremesa e suco. Tem pessoas em Mato Grosso que não têm isso para comer. Não tiveram ontem, não têm hoje e não terão amanhã”, afirmou.
Sérgio Ricardo citou ainda que cerca de 500 mil pessoas em Mato Grosso vivem abaixo da linha da pobreza e defendeu que o estado tenha como meta “não passar fome”. “Vamos propor, dentro do Plano de Metas Mato Grosso 2050, Mato Grosso não passa fome”, declarou.
A proposta também prevê que os alimentos utilizados nos restaurantes sejam fornecidos pela agricultura familiar, seguindo o modelo já adotado na merenda escolar. O financiamento seria dividido entre Governo do Estado e prefeituras, com maior participação do Executivo Estadual.
Frequentadora do Restaurante Popular de Cuiabá, Tereza Cordeiro destacou a importância do serviço para quem enfrenta dificuldades financeiras. “Eu nem entendo muito de dinheiro, mas a R$ 2 a gente quase não está dando para comprar um café. A gente tem que agradecer”, disse.
Ela também pediu a instalação de uma unidade na região do CPA. “Não esquece da região do CPA. Eu tenho certeza de que para muitos vai ser ótimo”, afirmou.
Durante a visita, a vereadora Baixinha Giraldelli sugeriu a ampliação do atendimento para o período noturno e defendeu medidas para evitar o desperdício de alimentos. Segundo ela, o Estado poderia criar incentivos fiscais para empresas que destinarem produtos que seriam descartados a entidades e órgãos públicos.
Já o vereador Dilemário Alencar defendeu que a criação de novos restaurantes populares seja incluída nos planos de governo dos candidatos ao Executivo Estadual nas próximas eleições. Para ele, a iniciativa também pode fortalecer a agricultura familiar e gerar empregos.
A ideia de implantação de restaurantes populares em Mato Grosso, segundo Sérgio Ricardo, começou em 2006, quando ainda era deputado estadual. Na época, ele visitou unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde as refeições eram oferecidas a R$ 1, e passou a defender a criação do serviço no estado.
O Restaurante Popular de Cuiabá, localizado na rua Barão de Melgaço, próximo à Câmara Municipal, funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 14h, com média de 900 refeições servidas por dia ao custo de R$ 2. O serviço é custeado pela Prefeitura de Cuiabá.
“Governo que quer, mata a fome do povo. Pode fazer estrada, pode fazer ponte, mas governo tem que matar a fome do povo”, concluiu Sérgio Ricardo.
































