O documento foi aprovado na Comissão Intergestores Bipartite (CIB-MT) na tarde desta sexta-feira (15.5). A hanseníase é um problema de saúde pública no Estado, evidenciado pelas elevadas taxas de detecção e pelo diagnóstico tardio.
“Historicamente, Mato Grosso é hiperendêmico para a hanseníase porque tem uma política forte de diagnóstico da doença. O plano prioriza a celeridade no diagnóstico, o tratamento oportuno, as ações de educação permanente e a transparência dos dados”, explicou o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo.
Conforme o coordenador de Atenção às Condições de Saúde do Estado, Vinícius de Oliveira, o plano prevê a implementação do Ambulatório Especializado Virtual do Núcleo de Telessaúde e Saúde Digital de Mato Grosso (NTSD) para otimizar o acesso ao atendimento especializado à hanseníase.
“Essa integração com as equipes da Atenção Primária possibilitará a realização de teleconsultas para diminuir o tempo de espera nos atendimentos da atenção especializada e fazer triagem especializada sem necessidade de deslocamentos longos dos pacientes. Os profissionais serão qualificados para o uso contínuo da plataforma digital, que será expandida gradualmente”, afirmou.
A Coordenadoria de Atenção às Condições de Saúde vai instituir a Linha de Cuidado da Pessoa com Hanseníase no Estado de Mato Grosso.
“O objetivo do documento é demonstrar a organização da rede de atenção à saúde da pessoa com hanseníase, as competências dos entes estaduais na garantia da integralidade do cuidado, a definição de fluxogramas para a organização da rede e dispor as referências atualizadas no cuidado e monitoramento desta condição de saúde prioritária baseando-se nas referências técnicas mais recentes adotadas pelo Ministério da Saúde”, disse.
O plano da SES tem entre os seus objetivos implementar o uso do Questionário de Suspeição de Hanseníase (QSH) como ferramenta de triagem na Atenção Primária à Saúde e nos ambientes virtuais de saúde e ampliar a rede de vigilância da resistência antimicrobiana por meio de Unidades Sentinelas distribuídas pelas regiões de saúde de Mato Grosso.
O plano segue diretrizes nacionais e internacionais de combate à hanseníase e incorpora recomendações do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), com medidas de transparência e fortalecimento da atenção integral à saúde da pessoa com hanseníase no estado.
Capacitações
O PEHAN-MT 2026 conta com um programa de capacitação para profissionais da saúde, por meio de cursos presenciais e remotos para médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos, agentes comunitários de saúde (ACS) e equipes multiprofissionais da Atenção Primária.
Nesta quinta-feira (14), foi realizada uma capacitação do Ministério da Saúde, com apoio da SES e do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems), para cerca de cem profissionais farmacêuticos para a dispensação da talidomida.
Entre as ações estratégicas previstas estão a “Capacitação Teórica e Prática: Diagnóstico e Manejo Clínico da Hanseníase”, da Escola de Saúde Pública (ESP-MT), que prevê qualificar 1.280 enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, profissionais da Vigilância em Saúde, farmacêuticos, profissionais de laboratório e demais profissionais da Atenção Primária à Saúde até maio de 2028.
A Escola promoverá ainda uma websérie “A Atenção Primária que Temos no Cuidado à Pessoa com Hanseníase e a Atenção Primária que Queremos no Cuidado à Pessoa com Hanseníase”, com dez episódios para qualificar 2 mil trabalhadores do Programa Saúde da Família e das Equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde (eMulti) entre maio e junho deste ano.
A Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da SES já realizou, em abril deste ano, em parceria com a Frente Parlamentar de Enfrentamento à Hanseníase da Assembleia Legislativa (ALMT) e o Ministério da Saúde, a 1ª Capacitação em Hanseníase para Agentes Comunitários de Saúde. Foram treinados 80 profissionais de Várzea Grande no projeto-piloto.


























