A escassez de mão de obra qualificada tem se tornado um dos maiores desafios enfrentados pelo setor produtivo em Mato Grosso. O alerta foi feito pelo presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), José Wenceslau, durante participação na Câmara Municipal de Cuiabá.
Segundo o dirigente, o problema não é exclusivo do Estado, mas uma realidade nacional. Ele destacou que, embora haja vagas abertas em diferentes setores, muitas empresas têm dificuldade em contratar trabalhadores.
De acordo com Wenceslau, cerca de 43 milhões de brasileiros recebem algum tipo de auxílio do governo federal. O número equivale a quase um terço da população economicamente ativa.
“Essas pessoas querem trabalhar, mas não aceitam vínculo formal. Ou seja, estão recebendo um benefício e, ao mesmo tempo, atuando de forma informal. Isso distorce as estatísticas e cria a falsa impressão de que o país está em pleno emprego”, criticou.
O presidente da Fecomércio ressaltou que a federação, por meio do Senac, disponibiliza mais de 500 cursos gratuitos de qualificação em Mato Grosso. Ele acredita que a formação profissional é fundamental para que os trabalhadores tenham acesso a melhores salários e estabilidade. “Quem tem qualificação encontra vaga. O que falta é disposição para assumir um emprego formalizado”, pontuou.
Sobre a crítica de que muitos postos oferecem remuneração baixa e exigem jornadas extensas, Wenceslau rebateu. Para ele, o comércio no Estado paga salários acima do mínimo e cumpre a legislação trabalhista.
“Não conheço no comércio quem receba apenas um salário mínimo. E quem trabalha além da carga horária tem direito às horas extras, com adicional de 50% previsto na CLT. Isso aumenta a renda familiar”, declarou.
Apesar do cenário desafiador, o dirigente se mantém otimista. Ele afirma que o setor do comércio, impulsionado pelo agronegócio, continuará em expansão. “O produtor rural vende a soja, compra trator, pneus, óleo. Esse movimento gira dentro do comércio. O nosso mercado paga bem, mas precisa de trabalhadores dispostos e qualificados para acompanhar esse crescimento”, concluiu.



























