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IMPACTO NAS EXPORTAÇÕES

Tarifaço: Mato Grosso deve perder R$ 380 milhões com aumento de tarifas dos EUA

Apesar de ter baixa dependência do mercado americano, estado será afetado por medidas que penalizam a indústria de transformação
Reprodução

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O aumento das tarifas de importação anunciadas pelos Estados Unidos, previsto para entrar em vigor em 7 de agosto, pode provocar perdas bilionárias ao comércio exterior brasileiro, com impactos diversos entre os estados. No caso de Mato Grosso, apesar da baixa dependência das exportações para o mercado americano — apenas 1,5% das vendas externas — o estado deve amargar um prejuízo financeiro estimado em R$ 380 milhões, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O impacto sobre o estado é explicado, em parte, pela estrutura da economia mato-grossense, mais voltada à exportação de commodities agrícolas para mercados como China e Europa. No entanto, a indústria de transformação local, embora menos expressiva que em estados do Sul e Sudeste, também será afetada pelo chamado “tarifaço” anunciado pelo governo norte-americano, que mira setores estratégicos como metalurgia, alimentos processados e couro.

Prejuízo nacional pode ultrapassar R$ 19 bilhões

Conforme o estudo da CNI, as novas tarifas norte-americanas vão atingir de forma desigual as unidades da federação. Estados com maior dependência comercial dos EUA, como Ceará (44,9%), Espírito Santo (28,6%) e Paraíba (21,6%), estão entre os mais vulneráveis. No total, os prejuízos somados podem ultrapassar R$ 19 bilhões no país.

“A imposição do expressivo e injustificável aumento das tarifas americanas traz impactos significativos para a economia nacional, penalizando setores produtivos estratégicos e comprometendo a competitividade das exportações brasileiras”, alertou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Mesmo com a maior diversificação das relações comerciais, os estados do Sudeste e do Sul também serão duramente atingidos, em valores absolutos. São Paulo, principal economia do país, lidera a lista de perdas, com impacto superior a R$ 4,4 bilhões, seguido de Rio Grande do Sul (R$ 1,9 bi), Paraná (R$ 1,91 bi), Santa Catarina (R$ 1,7 bi) e Minas Gerais (R$ 1,6 bi).

Centro-Oeste e Norte: menor dependência, mas impacto relevante

No Centro-Oeste, o conjunto formado por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás terá perdas estimadas em mais de R$ 1,9 bilhão, mesmo com baixa participação dos EUA nas exportações da região. Em Goiás, por exemplo, apenas 3,3% das exportações são destinadas ao país norte-americano; no Distrito Federal, a taxa é de 2,6%.

O Norte também aparece entre as regiões menos expostas. Roraima, por exemplo, tem apenas 0,3% das exportações voltadas aos EUA, com perdas previstas de R$ 13 milhões.

Dependência americana preocupa estados do Nordeste

Na contramão, estados do Nordeste como Ceará (R$ 190 milhões de prejuízo), Bahia (R$ 404 mi) e Pernambuco (R$ 377 mi) devem enfrentar dificuldades maiores, já que parte considerável de suas exportações está diretamente ligada à indústria de transformação e dependente do mercado norte-americano. No Ceará, por exemplo, 96,5% das exportações com destino aos EUA são da indústria, principalmente metalurgia (US$ 441,3 milhões) e alimentos (US$ 112,2 milhões).

Impacto no agro é limitado, mas indústria regional sente

No caso de Mato Grosso, os efeitos diretos sobre o agronegócio — principal motor da economia estadual — são considerados limitados, já que os EUA não estão entre os principais destinos da soja, do milho e da carne bovina mato-grossense. Ainda assim, setores da indústria local ligados à exportação podem enfrentar perda de competitividade, especialmente diante de concorrentes asiáticos e latino-americanos.

A preocupação do setor produtivo é com os efeitos indiretos da medida americana, que pode gerar retração no comércio global, elevação de custos logísticos e instabilidade cambial — fatores que atingem todo o ambiente de negócios, mesmo em estados menos expostos ao mercado dos EUA.

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