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USAVAM PERFIL FALSO

Facção é investigada por extorquir comerciantes com ameaças de morte e “taxa sobre faturamento”

Operação Vultus Legis cumpre 28 ordens judiciais contra membros de facção que atuava com apoio de presos e laranjas; comerciantes relatam traumas e medo de represálias
Polícia Civil-MT

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A Polícia Civil investiga um grupo suspeito de comandar um esquema de extorsão contra comerciantes em Rondonópolis (218 km de Cuiabá). Os suspeitos são integrantes de uma facção criminosa que ameaçava de morte empresários de diversos setores, exigindo o pagamento de uma suposta “taxa sobre faturamento” em nome do grupo criminoso. A Operação Vultus Legis está sendo realizada desta quinta-feira (31), com 28 ordens judiciais cumpridas em Mato Grosso e no estado de Sergipe.

Os policiais cumprem sete mandados de prisão preventiva, 10 de busca e apreensão, 11 de quebras de sigilo telemático, além de sequestro de contas bancárias e bloqueio de R$ 86 mil. As ações ocorrem em Cuiabá, Rondonópolis e no município de Itabaiana (SE), com apoio do Gaeco e da Polícia Civil de Aracaju.

Modus Operandi

O grupo utilizava perfis falsos no WhatsApp, mas por vezes se apresentava mostrando o rosto, se identificando como responsável pelo “setor de contrabando, descaminho e sonegação” da facção. Em chamadas individuais e em grupo, exigiam Pix ou dinheiro em espécie com base em notas de compra, venda ou inventário dos estabelecimentos. O dinheiro era enviado a contas de terceiros, os chamados “laranjas”.

Segundo o delegado Antenor Pimentel Marcondes, o esquema criminoso teve origem em Várzea Grande e se expandiu para Rondonópolis com apoio de lideranças locais. O objetivo era arrecadar valores para a facção por meio da coerção a comerciantes de tabacarias, lojas de celular, distribuidoras e outros setores.

Além dos presos que lideravam a organização de dentro do sistema prisional, o esquema envolvia facccionados organizados por bairros, incluindo menores de idade, responsáveis por buscar os valores pessoalmente e intimidar as vítimas. A preferência por pagamentos em espécie aumentou a pressão psicológica e física sobre os alvos da quadrilha.

Comerciantes relataram episódios de infarto, AVC e fechamento de lojas, mas poucos têm coragem de prestar depoimento com medo de sofrer retaliações, mesmo conhecendo os autores das ameaças.

Dois dos líderes do esquema já haviam sido alvos da Operação A César o que é de César, deflagrada em fevereiro deste ano, que também investigava extorsões contra vendedores do camelódromo de Várzea Grande. Ambos seguem presos preventivamente.

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