O médico Marcos Vinicius Ramos esteve hoje na Câmara Municipal de Cuiabá, onde relatou que passou por uma sucessão de ‘ameaças, intimidações e humilhações’ na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do antigo Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá. Ele acusa o vereador Marcrean Santos (MDB) por praticar ‘carteirada’ – quando o agente público constrange, sob violência ou ameaça, outra pessoa para obter vantagem.
Conforme o médico intensivista, que denunciou o vereador por abuso de autoridade e pede a cassação, Marcrean teria usado o nome do prefeito, Emanuel Pinheiro (MDB), e do secretário municipal de Saúde, Deiver Teixeira. “Ele falou que iria ligar para os dois e que eu ia ver, que eu não estava acima de ninguém”, frisou.
O vereador disse que foi ao hospital para obter informações do estado de saúde de uma pessoa próxima (que considera parente), que estava internada há 30 dias, cuja evolução não estava sendo compartilhada aos familiares.
“A gente observou que a paciente tinha um probleminha no pulmão. No outro dia, o vereador chegou me carteirando, me ameaçando. Mas estávamos dando assistência aos outros pacientes. Ele não gostou muito da resposta e acabou entrando na UTI, gritando, incluisve, alguns pacientes estavam despidos. Foi uma sucessão de ameaças e intimidações, de humilhação”, disse o médico, acrescentando que o parlamentar ainda proferiu xingamentos.
À imprensa, o médico afirmou que não dormia no momento em que Marcrean esteve na unidade médica para pedir informações. Declarou que não conseguiu repassar dados do quadro de saúde da paciente devido aos trabalhos, e que tiraria as dúvidas dos familiares no horário de visita. Conforme ele, Marcrean expôs pacientes na UTI, que estavam sem roupa.
Após o tumulto no hospital, um dos funcionários da UTI chamou a polícia, segundo o médico. Sobre o posterior falecimento da paciente, o médico disse que houve intercorrência no centro cirúrgico. “Mas o prontuário é eletrônico, tem tudo registrado. Já até pedi ao CRM para apurar a minha conduta”.
O médico protocolou uma denúncia contra o vereador Marcrean, mas o pedido foi rejeitado por falta de documentos. Outras duas representações em desfavor do vereador constam no Legislativo, sendo uma do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) e outra requerida pelos parlamentares Rogério Varanda (MDB) e Luiz Fernando (União).
Outro lado
Marcrean nega que tenha dado ‘carteirada’. “Os familiares já tinham protocolado na diretoria do pronto Socorro antigo várias denúncias de maus-tratos, e que estava demorando para ter uma posição concreta sobre a cirurgia da Vilma. […] Quando eu cheguei lá dentro no Pronto-Socorro, que eu subi, chegando na UTI não tinha nenhum cartaz falando é proibido entrar ou tinha algum funcionário para comunicar. Não invadi UTI”.
O parlamentar também afirma que falou outro nome ao médico, após ter se identificado, mas ter a pergunta repetida pela quarta vez. “Ele foi irônico comigo, pegou a caneta e um papel e falou assim, eu vou registrar um BO contra você agora e quero saber seu nome completo. Falei, doutor o senhor já perguntou meu nome quatro vezes. Coloca aí o Zé Maria, Chico das Couves, Zé Mané, coloca o que o senhor querer colocar”.

























