Após uma série de questionamentos e suspeitas sobre o leilão para importação de arroz realizado pelo governo federal, o Secretário de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, Neri Geller, pediu demissão do cargo. A decisão vem à tona em meio a uma controvérsia que envolve empresas vencedoras do certame, as quais, segundo análises internas do governo, teriam demonstrado fragilidade financeira para cumprir os compromissos assumidos.
O leilão, que visava a compra de 300 mil toneladas de arroz importado, foi anulado pelo presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, após surgirem suspeitas de irregularidades, publicadas na mídia brasileira. Pretto enfatizou que nenhum recurso público foi utilizado até o momento e ressaltou a importância da segurança jurídica e do zelo pelo dinheiro público como fundamentais para a decisão de anulação do certame.
A polêmica ganhou ainda mais destaque com a revelação de que empresas sem histórico de atuação no mercado de arroz haviam arrematado lotes no leilão, levantando suspeitas sobre a lisura do processo licitatório. Além disso, chamou a atenção o fato de que a negociação da maior parte dos lotes foi intermediada pela Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e pela Foco Corretora, esta última de propriedade de Robson França, ex-assessor parlamentar de Neri Geller.
A conexão entre Geller e França trouxe à tona questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, especialmente devido ao fato de Marcelo Piccini Geller, filho de Neri Geller, ser sócio de França em uma empresa aberta após a qualificação da BMT para participar dos leilões da Conab. Apesar das negativas de direcionamento por parte dos envolvidos, o caso tem suscitado debates sobre favorecimento e uso de influência no âmbito do governo.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, confirmou a demissão de Neri Geller e destacou que serão implementados mecanismos para avaliar as empresas participantes de futuros leilões, visando garantir a integridade do processo. Fávaro ressaltou ainda a intenção do governo em promover um novo leilão para a compra de arroz, reafirmando o compromisso de garantir preços justos para o produto e evitar qualquer impacto negativo na mesa dos brasileiros.
Enquanto isso, especialistas apontam que a importação de arroz trouxe desincentivo ao mercado nacional, sem abordar questões essenciais como os custos de produção para os agricultores. A medida de zerar a tarifa de importação é vista como contraproducente, prejudicando o setor e levantando questionamentos sobre a falta de apoio aos produtores locais em momentos de crise.
Diante desse cenário, a saída de Neri Geller representa mais um capítulo em uma saga que coloca em evidência não apenas questões administrativas, mas também os desafios enfrentados pelo setor agrícola brasileiro, em meio a uma conjuntura marcada por incertezas e debates sobre políticas públicas para garantir a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável do país.
Com informações do SBT News e Globo Rural.



























