Uma motorista por aplicativo denunciou, em entrevista ao SBT Cuiabá, um policial civil após, segundo ela, ter sido agredida por não responder aso cumprimento de “bom dia”. O caso aconteceu na manhã do último sábado (26), no bairro Morada do Ouro, em Cuiabá, enquanto a profissional aguardava novas corridas estacionada ao lado de um muro.
Em entrevista ao repórter Artur Garcia, do SBT Comunidade, a trabalhadora relatou que tudo começou quando um homem, trajando apenas bermuda e chinelo, passou por ela levando um saco de lixo e disse “bom dia”. Como não o conhecia, não respondeu. Ela contou que ele retornou minutos depois, mais exaltado, repetindo o cumprimento. Novamente, ela permaneceu em silêncio.
A motorista disse que, em seguida, o homem voltou para dentro de casa, vestiu uma camiseta, retornou ao local e se aproximou do veículo. De acordo com a vítima, ele mandou que ela se identificasse e, nesse momento, mostrou uma arma de fogo. Ela afirmou que ele não se identificou como policial civil naquele instante.
“Ele foi até a residência dele, pegou uma arma, veio até meu carro, mostrou essa arma para mim e colocou a mão na arma. Eu, assustada, peguei meu celular e disse: ‘Já que você está me mostrando uma arma, eu vou te gravar, porque eu não sei o que você pode fazer comigo’”, relatou.
Agressões repetidas
A mulher disse que, ao perceber que estava sendo filmado, o homem deu um soco em sua cabeça, tentou pegar o celular e a agrediu novamente. “Eu coloquei a mão no rosto para ele não atingir meu rosto, ele me deu mais um soco e pegou meu celular.”
Ela disse ainda que, só depois da agressão, ele teria dito que era policial civil e exigido seus documentos e identidade. “Ele alegou que eu estava na porta da casa dele. Eu não estava. Ele mora do outro lado da rua, umas três ou quatro casas de onde eu estava parada”.
O celular, segundo a motorista, só foi devolvido após a chegada dos policiais. “Quem acionou a polícia Militar foi uma vizinha, porque a hora que ele me agrediu, eu acabei ficando muito nervosa, e comecei a gritar que ele tinha me agredido para alguém sair, chamar a polícia”. A mulher fez exame de corpo de delito e afirma ter o laudo que comprova as agressões.
“Eu fiquei muito assustada, eu tenho muitos anos de aplicativo, isso nunca me aconteceu de alguém vir até meu carro e me agredir. E eu quero que a justiça seja feita. Que ele seja punido, porque ele não pode fazer isso. Eu sou uma cidadã de bem, trabalho de segunda a segunda, tanto eu como o meu marido e jamais esperava que isso acontecesse comigo. Eu não o ofendi, eu não o conhecia, não fiz nada para ele e ele simplesmente me agrediu dentro do meu carro”, frisou.
A motorista teme que o policial agrida outras pessoas. “Eu quero que todo mundo saiba o que ele fez comigo. Porque ele pode fazer com outras pessoas. Eu me sinto impotente porque ele foi covarde comigo. Ele foi na casa dele buscar uma arma para me agredir. Só depois que ele buscou a arma que ele veio me agredir”, desabafou.
O que foi feito?
A Polícia Civil informou, por meio de nota, que foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e que as partes envolvidas foram ouvidas. Também foi realizado o exame de corpo de delito na vítima. Segundo a corporação, a Corregedoria vai apurar os fatos e, caso confirmadas as agressões, tomará as providências cabíveis.
Outro lado
O policial negou ter agredido a motorista e alegou que apenas questionou o motivo de ela estar parada em frente à sua casa. Disse, ainda, que tomou o celular dela após ser filmado de perto.
O espaço segue aberto para manifestação do policial ou do advogado que o representa.




























