A Polícia Civil de Mato Grosso desmantelou uma organização criminosa com atuação no Estado, e também no Rio de Janeiro, Piauí e Minas Gerais. O grupo é investigado por envolvimento em fraudes eletrônicas na modalidade conhecida como “falso intermediário”, por meio da qual as vítimas são induzidas a transferir dinheiro após contato com supostos vendedores e intermediadores em anúncios falsos de bens como veículos e gado (assista no final da matéria).
As investigações que resultaram na deflagração da Operação Reversus tiveram início após o relato de uma vítima. Segundo o delegado Bruno Mendo Palmiro, a pessoa havia anunciado seu veículo, um Chevrolet Prisma, na plataforma OLX. Após ser contatada por um indivíduo que se passou por intermediador, foi orientada a retirar o anúncio, sob a justificativa de que o veículo seria vendido por outro comprador.
Com o anúncio removido, o golpista republicou as mesmas informações em outra plataforma — o Marketplace do Facebook —, mas por um valor inferior ao original. Enquanto o proprietário havia anunciado o carro por R$ 59 mil, a nova publicação, feita pelo suspeito, oferecia o bem por R$ 45 mil. A estratégia permitiu que o autor enganasse tanto o verdadeiro dono do veículo quanto um terceiro interessado, que efetuou uma transferência via Pix no valor de R$ 45 mil, acreditando estar adquirindo o bem.
“Tratava-se de uma organização criminosa. Por isso, o nome da operação Reversus, porque o dinheiro começa aqui, com a vítima no estado do Mato Grosso. O golpe começa oriundo da Penitenciária Central do Estado. O primeiro golpe é de uma pessoa que estava presa. A partir dali, o dinheiro é pulverizado, passa por diversas contas bancárias. Isso faz parte do mecanismo do golpe, das organizações criminosas para dificultar o trabalho da polícia e o rastreio, e facilitar a lavagem de capitais”, informou o delegado em entrevista ao repórter Arthur Garcia, do SBT Comunidade.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou que o valor movimentado nas contas bancárias dos suspeitos era significativamente superior ao valor inicial do golpe. Estima-se que, em curto período, aproximadamente R$ 1 milhão tenha circulado entre os envolvidos.
Ostentação dos investigados
A Polícia também observou indícios de ostentação por parte dos investigados. Um dos alvos mantinha R$ 62 mil em espécie em sua residência, além de possuir um veículo de valor elevado. Outro investigado, localizado em Belo Horizonte, vivia em um condomínio de alto padrão em Cuiabá;
“Essa pessoa foi localizada em Belo Horizonte. Com ela não foram encontrados bens em espécie, mas ostentava uma vida de alto luxo, como viagens para diversos locais. O condomínio de alto padrão, também estava com um poderio econômico muito grande”, frisou o delegado.
Confira os detalhes da operação
Ao todo, foram cumpridos mais de 50 ordens judiciais, incluindo 27 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão domiciliar. As diligências também ocorreram dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. A Justiça autorizou ainda o bloqueio de contas bancárias que somam até R$ 2,7 milhões, além do sequestro de bens com valores individuais que podem alcançar R$ 100 mil.
Caso condenados, os investigados podem responder por crimes como estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que, somadas, podem ultrapassar 30 anos de reclusão, dependendo das circunstâncias e agravantes identificados no processo.



























