“Eu entrego meu filho bem e recebo ele ferido.” Foi dessa forma que a mãe de um menino de 10 anos resumiu, em entrevista ao Arthur Garcia, do SBT Comunidade, o episódio ocorrido na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Deputado Ulisses Silveira Guimarães, no bairro Ouro Fino, em Cuiabá. O caso foi registrado na delegacia como lesão corporal.
Segundo o relato da mãe, o menino chegou em casa chorando e reclamando de dor no olho, que estava ferido e inchado. A diretora da unidade informou a ela que o estudante brincava com um colega quando foi atingido por uma garrafa. Ainda conforme a mãe, o filho estava com o rosto sangrando e gritando de dor. Ela afirma que não havia nenhum adulto presente no momento, apenas as crianças aguardando a van escolar no pátio.
“Perguntei para o meu filho porque eles ficam esperando a van do lado de fora, no pátio. Ele respondeu que é porque a diretora manda. Eu falei para a diretora que meu filho não mexe com a vida de ninguém, porque que o gurizinho jogou [ a garrafa]. Ela respondeu que era brincadeira, mas eu falei isso pode levar outras consequências. E se ele fica cego?”, questionou.
Atendimento médico
A mãe afirmou também que, ao ver o filho sangrando, levou-o por conta própria até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), já que, segundo ela, a escola não providenciou atendimento médico imediato.
“A diretora falou que deu assistência. Mas, para mim, que sou mãe, eu acho que não deu assistência não, porque não levou ele na UPA, não deu nenhum remédio para ele, nem nada”, frisou.
Em entrevista, a mãe destacou que registrou boletim de ocorrência e realizou exame de corpo de delito. “Falei [à diretora] que isso não vai ficar impune”
Segundo a mãe, o menino continua reclamando de dores de cabeça, motivo pelo qual passará por avaliação neurológica. “Eu tenho que investigar essa dor que ele está sentindo na cabeça. Eu fico preocupada como mãe de entregar nossos filhos bem e sair de lá desse jeito, ferido, com dor ou até mesmo morto. Eu falei para a diretora que a gente não está no Rio de Janeiro para estar desse jeito”.
A mulher reforçou a preocupação com a falta de acompanhamento de um adulto no momento da agressão e relatou que não conseguiu ter acesso às imagens de câmeras de segurança da escola.
“Ela não quis me mostrar a câmera, só argumentou falando que deu assistência, mas eu não sei esse tipo de assistência, não. A diretora não chamou o pai da criança [ que arremessou a garrafa], eu não falei com o pai da criança, eu não o conheço, não sei quem que é essa criança que agrediu meu filho e por que fez isso”.
Outro lado
O caso aconteceu na última segunda-feira (18). A Secretaria Municipal de Educação informou, em nota, que tem conhecimento do caso e que está adotando as medidas necessárias para identificar os responsáveis.
Conforme a nota, a pasta “repudia qualquer agressão em ambiente escolar e reforça seu compromisso com a aprendizagem e bem-estar das crianças”.




























