A decisão da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) de alterar o modelo de implantação dos corredores do Transporte Rápido por Ônibus (BRT) — substituindo o concreto por asfalto em trechos da Prainha e da XV de Novembro — gerou uma série de manifestações na Câmara Municipal de Cuiabá, nessa terça-feira (25).
Apesar de reconhecerem o volume de investimentos do Governo do Estado na capital e em Mato Grosso, vereadores cobram mais clareza técnica sobre a mudança de material e pedem acesso ao estudo utilizado pela pasta para a tomada de decisão.
Segundo a Sinfra, a alteração tem relação com as obras de drenagem em execução na região central da cidade e com questões estruturais específicas desses corredores. A concretagem será mantida apenas nos pontos de parada e estações.
Alex Rodrigues
O vereador Alex Rodrigues (PV) destacou que a Câmara já acompanhava desde o início a possibilidade de ajustes no modelo de pavimentação e reforçou que a intenção é obter informações detalhadas, sem criar embates políticos.
“A população já não aguenta mais tantos transtornos, e, por isso, precisamos de clareza. Desde as primeiras conversas, a Sinfra já sinalizava que poderia haver mudança na Prainha e na XV. Agora, queremos ver o estudo que fundamentou essa decisão”, disse.
Ele afirmou que o secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira (Padeiro), e a equipe técnica citaram questões de drenagem como fator determinante.
“Sabemos que o concreto tem durabilidade maior, mas, se existe um estudo que justifique o uso de asfalto nessas áreas, precisamos conhecê-lo. Nosso gabinete já está preparando um requerimento pedindo acesso ao documento.”
Apesar das cobranças, Alex fez questão de reconhecer ações recentes do Governo do Estado. “Inclusive hoje elogiei a atuação da Sinfra na obra da ponte entre o Belvedere e o Planalto. Quando há avanços, nós reconhecemos.”
Dra Mara
A vereadora Dra. Mara (Pode) também se posicionou sobre a mudança. Ela ressaltou que o Governo do Estado tem realizado obras importantes em Mato Grosso, mas entende que, especificamente em Cuiabá, o concreto seria o material mais adequado.
“A Sinfra trabalha no estado inteiro e tem feito um bom trabalho. Mas aqui, na capital, a mudança preocupa. O concreto pode durar até 50 anos sem manutenção, enquanto o asfalto é mais sensível, principalmente no período de chuvas”, avaliou.
Para ela, a Câmara deve se manter firme na discussão. “Isso não é disputa política. É defesa técnica. Várzea Grande recebeu um corredor bonito e durável. Cuiabá merece o mesmo padrão.”
A parlamentar também informou que apresentará a proposta de criação de uma comissão especial temporária para acompanhar a execução das obras do BRT. “Nosso papel é fiscalizar. Precisamos acompanhar de perto.”
Ranalli
O vereador Rafael Ranalli (PL) voltou a defender o uso do concreto, afirmando que a solução é a mais durável. Ele também destacou que a discussão deve envolver representantes de todas as esferas políticas.
“Todo mundo quer entregar o melhor para a cidade. O concreto tem durabilidade de 50 a 90 anos. O asfalto é mais rápido de executar, mas precisamos garantir qualidade. Por isso, cobro que o concreto seja mantido”, afirmou.
Ranalli reforçou que sua cobrança não tem viés eleitoral. “O governador Mauro Mendes (UB) tem grandes obras em Mato Grosso, e o BRT é uma delas. A discussão é técnica. Precisamos garantir que a capital receba o melhor material possível.”
O parlamentar também pediu que deputados estaduais, federais e senadores participem mais ativamente do debate. “A Câmara está fazendo sua parte. Agora é importante termos a união de todas as esferas.”
Câmara aguarda documento da Sinfra
Os vereadores afirmam que aguardam o estudo técnico que embasou a mudança de pavimento e garantem que o debate seguirá de forma transparente e colaborativa, sempre priorizando o interesse da população cuiabana e o andamento das obras.


























