Uma mulher de 38 anos foi morta a facadas dentro de casa, em Nova Bandeirantes, a 1.028 quilômetros de Cuiabá. Eliene Luzanira da Silva foi assassinada na manhã de sábado (22), na presença do filho, de apenas sete anos.
Segundo a Polícia Militar, foi a própria criança quem buscou ajuda depois do crime. O menino correu até a casa de um vizinho e contou que o pai havia matado a mãe. Ele também indicou aos policiais onde a família morava.
Quando chegaram ao imóvel, os militares encontraram Eliene caída no chão da cozinha, coberta de sangue e com vários ferimentos provocados por golpes de faca. Uma faca com a lâmina ensanguentada estava sobre a pia, próxima ao corpo.
A residência foi isolada para o trabalho da Polícia Civil e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
O companheiro de Eliene, de 35 anos, é apontado como autor do feminicídio. Ele fugiu após o crime e, até domingo (23), ainda não havia sido localizado. A Polícia Militar realizou buscas pela cidade na tentativa de encontrar o suspeito.
Com a morte de Eliene, Mato Grosso chega a 32 feminicídios registrados em 2026. Somente em agosto, já são cinco casos.
O crime também chama atenção pela presença de crianças em casos recentes de feminicídio no Estado.
No dia 15 de agosto, a jovem Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, foi morta com um tiro na nuca dentro de casa, no bairro Alvorada, em Cuiabá. O filho dela, de três anos, estava sozinho no imóvel quando o corpo foi encontrado.
O principal suspeito do crime era Fabiano Oliveira Borges, de 43 anos, conhecido como “Pépi”. Ele foi encontrado morto três dias depois, boiando no rio Cuiabazinho, em uma região de Nobres. O corpo estava em avançado estado de decomposição e apresentava pelo menos sete perfurações provocadas por disparos de arma de fogo.
Os dois casos expõem uma consequência que vai além da morte das vítimas: o impacto dos feminicídios sobre os filhos.
Antes da morte de Eliene, 41 pessoas já haviam perdido as mães em decorrência de feminicídios em Mato Grosso somente neste ano.
Entre 2020 e 2026, os crimes deixaram 517 pessoas órfãs no Estado. Desse total, 190 eram crianças e adolescentes de até 17 anos.
Entre 2020 e 2025, a média foi de aproximadamente 79 órfãos por ano. Em 2026, mais da metade das pessoas que perderam as mães em feminicídios são menores de idade.
No caso de Eliene, além de perder a mãe, o filho de sete anos precisou deixar a própria casa e procurar ajuda depois de presenciar a violência.
A Polícia Civil continua as investigações e tenta localizar o companheiro da vítima, que permanece foragido.
























