O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), questionou a deflagração da Operação Heritage, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6), e levantou a possibilidade de que a ação tenha motivação política.
Segundo Abilio, declarações anteriores do ex-governador Pedro Taques (PSB) e do senador Jayme Campos (União) teriam antecipado a realização da operação. O prefeito afirmou que ambos já haviam feito comentários sobre uma possível ação policial antes da deflagração.
“Pedro Taques até citou data. O Jayme havia dito que pessoas sairiam algemadas. Essas pessoas estão descredibilizando a Polícia Federal por conta desses vazamentos”, declarou.
A Operação Heritage investiga suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada. A PF apura uma possível movimentação irregular de recursos públicos superior a R$ 308 milhões relacionada a um acordo tributário firmado entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa privada.
Abilio afirmou que prefere não comentar o mérito das suspeitas envolvendo integrantes e pessoas ligadas ao núcleo político do Estado. A operação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, além de outras medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O prefeito também questionou o fato de a decisão judicial ter sido proferida pelo ministro Flávio Dino, relator do caso no STF, indicado para a Corte pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar das críticas, Abilio declarou confiar no trabalho da Polícia Federal e afirmou que aguarda o esclarecimento dos fatos.
O prefeito também citou uma suposta orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que operações policiais não fossem realizadas durante o período eleitoral. No entanto, não há, segundo as informações disponíveis, uma determinação do CNJ que impeça forças policiais de realizar operações durante o período eleitoral.
As normas citadas pelo órgão em períodos eleitorais estão relacionadas principalmente à atuação do Judiciário e à preservação da normalidade, da segurança e da integridade do processo eleitoral, não estabelecendo uma proibição geral para operações policiais.
A Operação Heritage segue em andamento e as investigações continuam para esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos recursos que são alvo da apuração.























