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COMBATE À PEDOFILIA

“Criança não precisa estar na internet, ela precisa brincar”, diz psicanalista sobre riscos da exposição nas redes sociais

Fátima Santos alerta que a desinformação dos pais pode favorecer situações de abuso e defende mais responsabilidade na criação dos filhos
Psicanalista Fátima Santos / Reprodução

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A psicanalista Fátima Santos, especialista em educação sexual, educação emocional e prevenção ao abuso infantil, fez um alerta sobre os perigos da exposição de crianças nas redes sociais e destacou a falta de preparo de muitos pais diante das responsabilidades da criação dos filhos.

Segundo a especialista, a desinformação é um dos principais fatores que contribuem para comportamentos inadequados.

“Criou-se uma moda: vou me casar, vou ter filho, mas eu não tenho estrutura. Você sabe realmente o que é ser pai? O que é ser mãe? Não existe uma formação, uma palestra, nada que esses pais procurem para entender o que devem ou não fazer com seus filhos”, afirmou.

Fátima chama a atenção para situações comuns do dia a dia que, mesmo sem intenção, podem colocar crianças em risco, como publicar vídeos de banhos, danças ou até mesmo imagens com uniformes escolares.

“Isso é um vídeo caríssimo para pedofilia. Os pedófilos ficam o tempo todo na internet procurando esse tipo de conteúdo. A internet é uma porta aberta para os aliciadores escolherem qual criança querem”, destacou.

Outro ponto sensível apontado pela psicanalista é a dificuldade de muitos pais em diferenciar uma brincadeira inocente de uma exposição precoce.

“Às vezes a criança faz uma dancinha bonitinha e os pais incentivam, mas aquela música não é infantil, é de adulto. Sem perceber, acabam estimulando comportamentos inadequados”, explicou.

Ela ainda criticou atitudes consideradas de “mau gosto” em ambientes familiares, como comentários sobre mudanças físicas de meninas que estão entrando na puberdade.

“Essas piadinhas de ‘tá ficando mocinha’ ou ‘já tá com as pernas grossas’ devem ser cortadas. A maioria dos abusos acontece dentro dos próprios lares, no âmbito familiar”, alertou.

Fátima reforça que a proteção infantil deve começar em casa, com conscientização e vigilância dos pais.

“A criança não precisa estar na internet. Ela precisa brincar, ter amiguinhos, viver a infância dela. O mundo em que vivemos é extremamente perigoso e exige responsabilidade dos adultos”, concluiu.

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