O servidor da Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema) e advogado Cleber Figueiredo Lagreca será julgado pelo Tribunal do Júri pelo assassinato da empresária Elaine Stelatto Marques, de 45 anos. A decisão é do juiz Leonísio Salles de Abreu Júnior, da 1ª Vara de Chapada dos Guimarães, que pronunciou o réu pelos crimes de feminicídio qualificado — por asfixia e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima — além de fraude processual.
O crime ocorreu em 19 de outubro de 2023, durante um passeio de lancha no Lago do Manso. Segundo a investigação, após uma discussão, Cleber teria assassinado Elaine e simulado um acidente, alegando que ela havia se afogado após amarrar uma corda à cintura e pular na água com a embarcação em movimento. A versão, no entanto, foi desmentida por laudos periciais, exames e reproduções simuladas.
“Neste contexto, noto que as qualificadoras da asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio devem ser mantidas, por não existir o mínimo de lastro de que elas devem ser excluídas”, escreveu o magistrado na sentença proferida na quarta-feira (11).
Além de autorizar a ida do réu a júri popular, o juiz negou os pedidos da defesa para revogar a prisão preventiva e para conceder prisão domiciliar, destacando a gravidade do caso e o risco de fuga. “A necessidade da manutenção da prisão se impõe para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal”, afirmou.
A Justiça também apontou que Cleber tentou manipular a cena do crime para enganar os investigadores, o que levou ao enquadramento por fraude processual. “Tais circunstâncias demonstram não apenas a frieza e o desprezo pela vida humana, mas também uma clara intenção de obstruir a Justiça”, ressaltou o juiz.
Após o crime, Cleber fugiu e permaneceu foragido por quase um ano. Ele foi capturado em 28 de setembro de 2024, escondido em um hotel no bairro Alvorada, em Cuiabá, nas proximidades da Rodoviária.
Apesar de seguir negando o crime, a Justiça considerou que os elementos reunidos são suficientes para confirmar sua autoria. “Pelas lesões constatadas, não se tratou de um mero acidente”, frisou o magistrado.
O julgamento ainda não tem data marcada, mas deve ocorrer nos próximos meses, no Fórum de Chapada dos Guimarães.
























