O Ministério da Saúde anunciou o encerramento da Sala de Situação instalada em outubro para monitorar o surto de intoxicação por metanol no país. A decisão foi oficializada por meio da Portaria nº 9.169, assinada pelo ministro Alexandre Padilha e publicada no Diário Oficial da União.
O último caso confirmado da doença foi registrado no dia 26 de novembro, referente a um paciente que apresentou sintomas em 23 do mesmo mês. Segundo o ministério, a redução expressiva de novos casos e óbitos consolidou um cenário de estabilidade epidemiológica — inclusive em Mato Grosso, que registrou seis casos confirmados e três mortes ao longo do período crítico.
Mato Grosso entre os estados mais afetados
Embora o epicentro da crise tenha sido São Paulo, com 50 casos confirmados, Mato Grosso também esteve entre os estados que mais sofreram com a circulação de bebidas adulteradas. No total, seis intoxicações foram confirmadas no estado, resultando em três óbitos.
A atuação federal, especialmente na distribuição de antídotos e insumos clínicos, foi determinante para evitar que a situação se agravasse. Ao longo do período de monitoramento ampliado, o Ministério da Saúde enviou 1.500 ampolas de fomepizol e 4.806 unidades de etanol a diversos estados, além de manter um estoque estratégico de 2,6 mil ampolas do antídoto. A distribuição priorizou regiões com maior risco ou circulação de bebidas fraudadas — o que incluiu Mato Grosso.
“O cuidado permanece”, diz ministro
O ministro Alexandre Padilha destacou a resposta rápida e coordenada do Governo Federal.
“O país respondeu de forma rápida, garantindo diagnóstico, assistência e distribuição de antídoto a todos os estados”, afirmou. Segundo ele, mesmo com o encerramento da Sala de Situação, o monitoramento seguirá ativo: “O cuidado permanece, e a vigilância segue sem qualquer interrupção.”
Com o fim da operação emergencial, o acompanhamento retorna ao fluxo regular do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Origem do surto
A Sala de Situação foi criada após o alerta nacional emitido em 26 de setembro pela Senad, do Ministério da Justiça, que identificou os primeiros indícios do surto. Desde então, equipes técnicas monitoraram dados de saúde de todo o país e orientaram ações médicas e de combate à comercialização de bebidas adulteradas.
A operação contou com a participação de diversas instituições, entre elas Anvisa, Fiocruz, Opas, Conass, Conasems, além dos ministérios da Agricultura e da Justiça.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, classificou o episódio como “gravíssimo” e determinou prioridade nas investigações. A Polícia Federal abriu inquéritos e deflagrou ações como a Operação Alquimia, que atingiu 24 empresas do setor sucroalcooleiro e distribuidoras de metanol em cinco estados. Amostras recolhidas estão em análise no Instituto Nacional de Criminalística.
Além disso, a Receita Federal apreendeu 215 mil litros de bebidas clandestinas em operações em Fortaleza e Maringá. O Ministério da Agricultura também realizou 137 fiscalizações, que resultaram na apreensão de 793 mil litros de bebidas irregulares e no fechamento de 22 estabelecimentos.
Cenário epidemiológico
Entre 26 de setembro e 5 de dezembro de 2025, o Ministério da Saúde registrou:
- 890 notificações de intoxicação por metanol
- 73 casos confirmados
- 29 suspeitos em análise
- 788 descartados
Os estados com maior número de confirmações foram:
- São Paulo – 50
- Pernambuco – 8
- Paraná – 6
- Mato Grosso – 6
- Bahia – 2
- Rio Grande do Sul – 1
Foram registrados 22 óbitos confirmados, sendo:
- 10 em São Paulo
- 5 em Pernambuco
- 3 no Paraná
- 3 em Mato Grosso
- 1 na Bahia
Outros nove óbitos estão sob investigação.
O encerramento da Sala de Situação marca o fim da fase mais crítica do surto, mas o alerta permanece. Em Mato Grosso, autoridades reforçam a orientação para que a população evite adquirir bebidas de procedência duvidosa e denuncie possíveis irregularidades.






























