Dados do Ministério da Justiça, divulgados neste domingo (25), mostram que, em 2025, Mato Grosso registrou 241 tentativas de feminicídio, um aumento de 40,94% em relação a 2024, quando foram contabilizados 171 casos.
Desde 2019, Mato Grosso soma 1.282 registros de tentativas de feminicídio, o que representa um crescimento de 111% no período.
No mesmo intervalo, 337 mulheres foram mortas vítimas de feminicídio no estado.
Apenas no último ano, 53 mortes foram confirmadas.
O número de óbitos de mulheres por esse tipo de crime aumentou 35,8% desde 2019.
Agressão psicológica é ponto inicial
Judá Maali Pinheiro Marcondes, titular da Delegacia Especial em Defesa da Mulher de Cuiabá ressalta que há muitos casos de feminicídio em que o crime antecedente é a violência psicológica, não necessariamente ocorreu a violência física.
‘Essa violência psicológica vem de uma forma sutil e sorrateira e muitas pessoas não verificam que é um crime perigoso, porque toda nossa sociedade aprendeu a naturalizar a violência psicológica. Nós, mulheres, inclusive, somos criadas nessa perspectiva de que aquele controle é cuidado, que o ciúmes é amor, é demonstração de carinho. Mas na verdade são indicativos de que pode ocorrer o feminicídio’, disse delegada.
A violência psicológica, segundo a delegada, muitas vezes trabalha com a diminuição da mulher e geralmente o agressor utiliza o que a mulher mais orgulha para, através das condutas de manipulação, diminuir a autoestima dessa mulher.
‘Chega num ponto que ela nem sabe mais quem é. Ela vai sendo cada vez mais manipulada a ponto desse homem bater nessa mulher, espancar e ela acreditar que a culpa é dela. A manipulação é tão forte que ela perde a percepção da realidade’, disse Judá.
77% não solicitaram as medidas protetivas
Conforme a delegada Judá Maali, no ano de 2025, 77% das mulheres que sofreram feminicídio não procuraram a polícia, não denunciaram, não pediram medidas protetivas. Mas há um papel muito importante da família, das igrejas e da sociedade como um todo em denunciar.
Já que a maioria das vítimas procuram família e igreja para relatar as violências.
A família também pode perceber se houve mudança de comportamento da mulher.
O isolamento é um dos sinais, assim como a mudança na forma de se vestir, que podem ser indicativos da violência. Judá enfatizou também a importância de solicitar medidas protetivas. Ressalta que no ano passado 18.233 mulheres no estado solicitaram medidas protetivas, destas, sete sofreram feminicídios e somente em 15% dos casos houve descumprimento de medidas.
‘Isso demonstra que a maioria dos homens cumprem as medidas protetivas e quando há o descumprimento, a prisão é flagrante’, complementa a delegada.
























