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AINDA APRESENTA PERIGO

Caso Lumar: psiquiatra avalia risco de recaída de homem que arrancou coração da tia

O psiquiatra forense Rafael de Paula Giusti, responsável por uma das avaliações decisivas no processo, afirmou que o comportamento de Lumar está atualmente estabilizado, mas o risco de recaída existe caso ele abandone o tratamento

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O psiquiatra que avaliou Lumar Costa da Silva, de 34 anos, concedeu entrevista exclusiva ao SBT, em Sorriso, e falou sobre as avaliações que embasaram a decisão mais recente da Justiça de MT. Lumar é autor confesso de um dos crimes mais brutais da história recente de Mato Grosso: o assassinato da própria tia, Maria Zélia da Silva, em julho de 2019, em Sorriso. Após matá-la com uma faca, ele arrancou o coração da vítima e o entregou à filha dela, Patrícia Cosmo, dentro de uma sacola.

O homem foi absolvido em 2022 por ser considerado inimputável, em razão de transtornos mentais. Desde então, estava internado no Centro Integrado de Atenção Psicossocial à Saúde (Siaps) Adauto Botelho, em Cuiabá. Agora, com base em laudos médicos e pareceres técnicos, a Justiça entendeu que não há mais necessidade de manter a internação, ainda que ele siga sendo considerado perigoso.

O psiquiatra forense Rafael de Paula Giusti, responsável por uma das avaliações decisivas no processo, afirmou que o comportamento de Lumar está atualmente estabilizado, mas o risco de recaída existe caso ele abandone o tratamento.

“Na entrevista, ele relatou que usou drogas alucinógenas e outras substâncias psicoativas que, inclusive, potencializaram o quadro. O crime chocou bastante, mas meu papel foi avaliar o perfil psicológico dele, não julgar o fato”, destacou o especialista.

Giusti explicou que acompanhou o paciente em três entrevistas realizadas em momentos distintos, com o objetivo de entender melhor a evolução do seu estado mental. O diagnóstico apontado foi de transtorno afetivo bipolar, agravado pelo uso de entorpecentes antes do crime.

“O paciente em tratamento fica bem. O problema é aceitar o tratamento e seguir de forma correta. Deixando de tomar medicação, o quadro se desestabiliza e o transtorno pode se manifestar novamente”, alertou.

A decisão judicial de desinternação, publicada no dia 18 de junho de 2025, determina que Lumar viva com o pai em Campinas (SP) e compareça mensalmente ao CAPS da cidade. Ele está proibido de sair do município sem autorização judicial, de frequentar locais associados a vícios e criminalidade, além de não poder consumir álcool ou drogas.

A família da vítima, no entanto, demonstra preocupação com a medida. Patrícia Cosmo, filha de Maria Zélia, afirma ter medo de conviver em um mundo onde o assassino da mãe está solto:

“Ele é um risco. Um psicopata. Temo pelas pessoas que vão conviver com ele e principalmente pela minha família”, disse em entrevista.

Apesar do impacto emocional e da gravidade do crime, Giusti reforça que a decisão final cabe ao Judiciário, e não aos peritos:

“O trabalho da perícia é técnico. Não decidimos o que será feito. Apenas traçamos um perfil e apontamos se há relação entre o transtorno e o crime. A decisão é do juiz.”

Lumar, em suas declarações à Justiça e à imprensa, afirma não se arrepender do crime e nega ter problemas mentais. “Sou uma pessoa da paz”, disse. A Justiça, porém, impôs regras rígidas para sua vida em liberdade, numa tentativa de prevenir novos episódios de violência.

O caso segue causando comoção e levanta debates sobre os limites entre justiça, saúde mental e segurança pública.

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